Rei Charles fará visita de Estado aos EUA, enquanto Reino Unido busca apaziguar Trump

31 mar 2026 - 11h27

O rei Charles fará uma visita de Estado aos ‌Estados Unidos no final de abril, informou o Palácio de Buckingham nesta terça-feira, uma viagem de alto nível que o governo britânico espera que ajude a reparar as relações com o presidente Donald Trump, abaladas pela guerra no Irã.

Charles e sua esposa, a rainha Camilla, visitarão os EUA em uma viagem planejada há tempos para marcar o 250º aniversário da independência norte-americana do domínio britânico, antes de o casal visitar as Bermudas.

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"O ⁠programa de Suas Majestades celebrará as conexões históricas e a relação bilateral moderna entre o Reino Unido e os ‌Estados Unidos", disse o Palácio de Buckingham, acrescentando que a viagem está sendo realizada por recomendação do governo inglês.

Será a primeira visita de Estado de um monarca britânico aos EUA desde 2007, quando a mãe ‌de Charles, a rainha Elizabeth, fez aquela que foi a quarta ‌viagem desse tipo ao país durante seu reinado.

RELAÇÕES TENSAS

As boas relações entre Trump e o primeiro-ministro ⁠Keir Starmer foram abaladas pela relutância do líder inglês em se envolver na guerra com o Irã e pela recusa em permitir que os EUA usassem bases britânicas para lançar ataques.

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Embora as forças norte-americanas tenham sido autorizadas a realizar o que Starmer chama de ataques defensivos, Trump criticou repetidamente o primeiro-ministro, dizendo que ele "não era Winston Churchill" e que havia arruinado a aliança historicamente próxima.

Trump também ridicularizou a oferta britânica de enviar mais ‌recursos militares para a região.

Além da questão iraniana, Trump mudou de ideia sobre um acordo do Reino Unido com ‌as Ilhas Maurício para transferir a ⁠soberania das Ilhas Chagos, ⁠onde se encontra a estrategicamente importante base aérea americano-britânica de Diego Garcia, chamando-o de um grande erro, para a alegria ⁠de alguns dos oponentes internos do primeiro-ministro.

Starmer, um ex-advogado de direitos ‌humanos, questionou a legalidade dos ataques ‌ao Irã, que não são populares internamente e suscitaram preocupações sobre o aumento dos custos de energia.

Mas ele evitou qualquer crítica direta a Trump e declarou publicamente que o relacionamento entre eles continuava bom.

INFLUÊNCIA REAL

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Desde que Trump retornou ao cargo, Starmer tem usado o "soft power" da família real para apaziguar ⁠o presidente norte-americano, que não poupou elogios ao rei e a sua família, a fim de mantê-lo do seu lado em relação à guerra na Ucrânia e suavizar possíveis tarifas comerciais.

Em setembro passado, Charles recebeu Trump para uma segunda visita de Estado ao Reino Unido, oferecendo-lhe um passeio de carruagem e um banquete de Estado no Castelo de Windsor. Na ocasião, Trump elogiou ‌a relação especial entre as duas nações, um laço que ele descreveu como "insubstituível e inquebrável".

Starmer espera que o rei, de 77 anos, possa novamente ajudar a suavizar as turbulentas relações atuais, antes da esperada visita ⁠do príncipe William, herdeiro do trono, aos Estados Unidos no verão, durante a Copa do Mundo de futebol.

Trump afirmou na quinta-feira que a visita não seria afetada pelas consequências do desentendimento com Starmer.

"Ele é meu amigo", disse Trump sobre Charles. "Ele é um grande cavalheiro."

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A visita de Estado colocará o rei numa posição delicada, exigindo que ele elogie um presidente que é profundamente impopular entre os britânicos, de acordo com as pesquisas.

Além disso, as opiniões de Trump sobre as mudanças climáticas são completamente diferentes das do monarca, que dedicou a vida a fazer campanha em prol de causas ambientais.

Charles também poderá enfrentar questionamentos sobre seu irmão mais novo, Andrew Mountbatten-Windsor, que está sob investigação policial por má conduta em cargo público devido a seus laços com o falecido criminoso sexual norte-americano Jeffrey Epstein.

Ed Davey, líder dos Liberais Democratas, o terceiro maior partido do parlamento britânico, já havia declarado que a visita deveria ser cancelada, afirmando que Trump não deveria receber essa honra diplomática em função de seus repetidos insultos ao país.

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