Trump volta a criticar Zelensky e diz que "é hora de a Ucrânia ter um novo presidente"

Donald Trump criticou duramente, no sábado (10), o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmando que era "hora de a Ucrânia ter um novo presidente", devido, segundo ele, à incapacidade do chefe de Estado de acabar com a guerra. O Kremlin saudou as declarações do líder americano.

10 out 2026 - 15h30
Resumo
Donald Trump criticou Volodymyr Zelensky, sugerindo que a Ucrânia troque de líder para viabilizar um acordo de paz com a Rússia e cesse os ataques a refinarias russas. A declaração ocorreu após os EUA fecharem a compra em massa de diesel russo para conter a alta dos combustíveis, medida celebrada pelo Kremlin e repudiada por Zelensky, que a chamou de fraca e financiadora da guerra, em meio a novos bombardeios russos que deixaram dezenas de vítimas civis em Zaporíjia e causaram blecautes em Kiev.

"Sugiro que eles busquem um novo líder capaz de chegar a um acordo" com a Rússia, afirmou o presidente americano à imprensa na Casa Branca, condenando os ataques ucranianos a refinarias russas que, segundo ele, apenas agravam "o problema global" de escassez de diesel.

Esta combinação de fotos de arquivo, criada em 25 de fevereiro de 2025, mostra o presidente dos EUA, Donald Trump (à esquerda), em 24 de fevereiro de 2025, e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky (à direita), em 23 de fevereiro de 2025.
Esta combinação de fotos de arquivo, criada em 25 de fevereiro de 2025, mostra o presidente dos EUA, Donald Trump (à esquerda), em 24 de fevereiro de 2025, e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky (à direita), em 23 de fevereiro de 2025.
Foto: © Jim Watson, Tetiana Dzhafarova / AFP / RFI

"É melhor ele parar", alertou Donald Trump ao presidente ucraniano, um dia após o anúncio de um acordo controverso entre Moscou e Washington para a compra em massa de diesel russo.

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Pouco depois, Kirill Dmitriev, enviado especial do Kremlin para a cooperação econômica, saudou as declarações de Donald Trump.

"O presidente Trump junta-se aos muitos atores que acreditam que a Ucrânia precisa de uma liderança verdadeiramente voltada para a paz, e não da política belicista de Zelensky. Icônico e histórico", declarou Kirill Dmitriev, principal negociador econômico de Vladimir Putin, em uma mensagem publicada no X.

Os preços dos combustíveis nos Estados Unidos dispararam desde que Donald Trump e Israel deflagraram a guerra contra o Irã. O acordo com o Kremlin é visto como uma forma de aliviar parcialmente a situação dos consumidores americanos a menos de um mês das eleições de meio de mandato.

Antes das declarações do presidente americano, Zelensky havia criticado o acordo, classificando-o como uma "decisão fraca" por parte dos Estados Unidos e uma oportunidade lucrativa para a Rússia reabastecer seus cofres e financiar sua guerra.

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O presidente ucraniano também lamentou os ataques russos a Zaporíjia, no sudeste da Ucrânia, que deixaram pelo menos 20 mortos no sábado.

"A Rússia expressou seus agradecimentos pelo levantamento das sanções às exportações de diesel lançando cinco bombas contra prédios residenciais em Zaporíjia", declarou.

Incerteza sobre negociações de paz

Segundo Washington e Moscou, a Rússia deve fornecer 300 mil toneladas de diesel a partir de outubro para os Estados Unidos e para o mercado mundial, aumentando posteriormente essas entregas para 1 milhão de toneladas em dezembro.

O anúncio do acordo gerou incerteza sobre a continuidade das discussões iniciadas na véspera entre negociadores ucranianos e americanos na Flórida, em uma tentativa de retomar a diplomacia, que permanece em um impasse após mais de quatro anos de invasão russa da Ucrânia.

O Kremlin afirmou, no sábado, que o presidente russo, Vladimir Putin, "recebeu com compreensão" as propostas americanas de "medidas visando à desescalada" na Ucrânia durante o telefonema com Trump, sem fornecer mais detalhes. A conversa resultou no acordo de exportação de diesel.

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A Rússia intensificou seus ataques contra o território ucraniano nos últimos meses, causando um número crescente de vítimas civis.

Aliados de Kiev

Além de Zaporíjia, ataques russos em Kiev causaram cortes de energia em larga escala e a suspensão temporária do funcionamento do metrô. Seis pessoas ficaram feridas, cinco delas estão hospitalizadas, informou o prefeito da capital, Vitali Klitschko.

"O que significa permitir que a Rússia venda produtos petrolíferos acaba de ficar muito claro em Kiev", denunciou o presidente ucraniano no X.

Ele afirmou ter discutido por telefone com o presidente francês, Emmanuel Macron, "as dificuldades impostas pelo abrandamento das sanções sobre produtos petrolíferos" russos.

O Palácio do Eliseu não reagiu de imediato ao anúncio do acordo entre Washington e Moscou.

Principal aliado militar de Kiev, Berlim limitou-se a "tomar nota" da decisão americana, mas reafirmou seu apoio à Ucrânia e disse estar trabalhando "em conjunto com seus parceiros europeus em novas sanções".

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Na sexta-feira, o enviado do presidente Trump, Steve Witkoff, classificou como "construtivas" as discussões realizadas em Miami com os negociadores ucranianos, na presença de conselheiros de segurança nacional de vários países europeus, da Comissão Europeia e da Otan.

No entanto, o presidente ucraniano denunciou uma "cortina de fumaça" após o anúncio do acordo sobre o diesel.

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