Trump pede que iranianos se levantem contra regime após ataques: 'Quando terminarmos, assumam o controle'

Presidente americano divulgou mensagem por sua rede Truth Social e afirmou que o objetivo dos ataques é acabar com o programa nuclear e com o regime iraniano.

28 fev 2026 - 13h01
(atualizado às 13h41)
Donald Trump em discurso após ataque ao Irã
Donald Trump em discurso após ataque ao Irã
Foto: Anadolu via Getty Images / BBC News Brasil

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou neste sábado (28/02) que seu país lançou "importantes operações de combate" no Irã e conclamou os iranianos a se sublevarem contra o governo dos aiatolás.

"Vamos destruir seus mísseis e arrasar sua indústria de mísseis. Ficará totalmente destruída", afirmou Trump em uma declaração em vídeo de oito minutos publicada nas primeiras horas da manhã nos EUA em sua rede Truth Social, pouco após serem relatadas explosões na capital iraniana, Teerã.

Publicidade

O presidente dirigiu-se aos iranianos e instou que utilizassem os ataques em grande escala dos EUA para derrubar o regime. "Quando terminarmos, assumam o controle de seu governo. Será de vocês. Esta será provavelmente sua única chance durante gerações", declarou. "A hora da sua liberdade está próxima".

Ele também disse aos membros das forças de segurança iranianas que lhes seria dada "imunidade" se depusessem as armas, caso contrário "enfrentariam morte certa".

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também se dirigiu aos iranianos em uma mensagem: "Nossa ação conjunta criará as condições para que o valente povo iraniano tome seu destino em suas próprias mãos".

Trump acusou o regime liderado por Ali Khamenei de travar uma "campanha interminável de derramamento de sangue e assassinatos em massa contra os Estados Unidos" e assegurou que com o ataque buscam "defender o povo americano eliminando as ameaças iminentes do regime iraniano, um grupo cruel de gente muito dura e terrível".

Publicidade

Até o dia anterior, o presidente dos Estados Unidos não havia dado indícios de que o ataque fosse iminente.

Nesta semana, Estados Unidos e Irã estiveram negociando em Genebra com a mediação de Omã sobre o futuro do programa nuclear iraniano, sem que as conversas chegassem a um acordo.

Programa nuclear

Falta esclarecer se o ataque deste sábado responde à falta de avanço das negociações ou se era algo que os Estados Unidos tinham previsto fazer apesar de tudo.

Segundo a declaração de Trump, o grande objetivo da operação em grande escala é acabar com o programa nuclear iraniano e derrubar o regime.

"Sempre foi política dos Estados Unidos, em particular da minha administração, que este regime terrorista jamais possa possuir uma arma nuclear. Repito: jamais poderão possuir uma arma nuclear", afirmou o presidente, que acrescentou que na Operação Martelo da Meia-Noite, no mês de junho passado, "destruímos o programa nuclear do regime em Fordow, Natanz e Isfahan", os principais centros nucleares iranianos.

Trump declarou que o Irã rejeitou todas as oportunidades para renunciar a suas ambições nucleares e seguiu desenvolvendo mísseis de longo alcance que podem ameaçar seus aliados na Europa, as tropas americanas no exterior e que "em breve poderiam alcançar território americano".

Publicidade

Teerã assinou em 2015 um acordo para restringir seu programa nuclear com os cinco membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, Reino Unido, França, Rússia e China) e a União Europeia, mas Trump retirou seu país do acordo em 2018, durante sua primeira presidência.

Aiatolá Ali Khamenei
Foto: Iranian Leader Press Office/Anadolu via Getty Images / BBC News Brasil

Trump deu a entender que a operação lançada neste sábado terá um alcance maior que a de junho passado, e que poderia inclusive produzir baixas americanas. "Vidas de valentes heróis americanos poderiam ser perdidas e poderíamos ter baixas", assinalou.

Trump também assegurou que o regime iraniano há 47 anos entoa "Morte aos Estados Unidos" e travou uma "campanha interminável de derramamento de sangue e assassinatos em massa contra os Estados Unidos".

O mandatário recordou a tomada da embaixada de seu país em Teerã em 1979 pelos seguidores do aiatolá Khomeini, o ataque suicida contra um quartel em Beirute em 1983 no qual morreram 241 militares americanos (e 58 franceses) e o ataque também suicida contra o destróier USS Cole no ano 2000 sobre o qual, segundo Trump, o Irã tinha conhecimento e "provavelmente esteve envolvido".

Publicidade

Acabar com os "grupos terroristas que patrocina" o Irã também é, segundo Trump, um dos objetivos do ataque.

O presidente encerrou sua declaração dirigindo-se ao "grande e orgulhoso povo do Irã", ao qual assegurou que a hora da liberdade estava próxima. "Mantenham-se abrigados. Não saiam de suas casas. É muito perigoso lá fora. Bombas cairão por toda parte", disse.

No início de janeiro, Trump ameaçou bombardear o Irã quando as forças de segurança reprimiram os protestos antigovernamentais que ocorreram em nível nacional, matando ao menos 6.480 pessoas, segundo ativistas de direitos humanos. Advertiu então que os responsáveis "pagariam um alto preço" e disse aos manifestantes que "a ajuda está a caminho".

Mas, dias depois, o presidente assinalou que havia recebido garantias do governo do Irã de que "as matanças haviam cessado" e sua atenção se concentrou no programa nuclear do país, que tem estado no centro de uma longa disputa com o Ocidente.

Neste sábado, Trump assinalou, no entanto, que esta será, provavelmente, "a única chance em gerações" de mudar o regime e tomar o controle do governo. "Durante muitos anos, vocês pediram a ajuda dos Estados Unidos, mas nunca a receberam. Nenhum presidente esteve disposto a fazer o que eu estou disposto a fazer esta noite", disse o mandatário americano.

Publicidade

Na mesma linha, Netanyahu, em uma mensagem pública difundida por suas redes sociais, declarou que "chegou o momento de que todos os setores do povo iraniano — os persas, os curdos, os azeris, os balúchis e os ahwazis — se libertem do jugo da tirania e criem um Irã livre e que busque a paz", disse o primeiro-ministro. "Este é o momento de agir. Não o deixem passar", sentenciou Trump.

BBC News Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da BBC News Brasil.
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações