Os Estados Unidos podem supervisionar a Venezuela e controlar sua receita de petróleo por anos, disse o presidente norte-americano, Donald Trump, em uma entrevista publicada nesta quinta-feira.
Durante o que o New York Times descreveu como uma entrevista abrangente, de duas horas, o jornal disse que Trump também pareceu retirar uma ameaça de tomar medidas militares contra a Colômbia, vizinha da Venezuela. Trump convidou o líder esquerdista colombiano, que ele havia chamado anteriormente de "homem doente", para visitar Washington.
"Só o tempo dirá" por quanto tempo os EUA supervisionarão a Venezuela, disse Trump. Quando perguntado pelo jornal se seriam três meses, seis meses, um ano ou mais, Trump disse: "Eu diria que muito mais tempo".
"Vamos reconstruí-la de uma forma muito lucrativa", disse Trump sobre a Venezuela, para onde enviou tropas para prender o presidente Nicolás Maduro em um ataque noturno em 3 de janeiro.
"Vamos usar petróleo e vamos obter petróleo. Estamos baixando os preços do petróleo e vamos dar dinheiro à Venezuela, de que necessitam desesperadamente."
Trump acrescentou que os EUA estão "se dando muito bem" com o governo da presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, uma leal a Maduro de longa data que atuou como vice-presidente do líder deposto.
"MARCO FALA COM ELA O TEMPO TODO"
O Times disse que Trump se recusou a responder a perguntas sobre por que havia decidido não dar o poder à oposição na Venezuela, que Washington já havia considerado o vencedor legítimo de uma eleição em 2024.
Trump revelou na terça-feira um plano para refinar e vender até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano que estavam presos na Venezuela sob o bloqueio dos EUA.
"Eles estão nos dando tudo o que achamos necessário", disse Trump, referindo-se ao governo venezuelano.
Ele se recusou a comentar quando perguntado se havia conversado pessoalmente com Rodríguez.
"Mas Marco fala com ela o tempo todo", disse ele, referindo-se ao secretário de Estado, Marco Rubio. "Posso lhe dizer que estamos em constante comunicação com ela e com o governo."
TELEFONEMA COM PETRO
O jornal disse que seus repórteres foram autorizados a participar de uma ligação telefônica entre Trump e o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, desde que o conteúdo da ligação não fosse registrado.
Em uma publicação nas mídias sociais, Trump disse: "Foi uma grande honra falar com o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, que ligou para explicar a situação das drogas e outros desentendimentos que tivemos. Apreciei sua ligação e seu tom e espero encontrá-lo em um futuro próximo".
Petro descreveu a ligação, sua primeira com Trump, como cordial.
No domingo, Trump ameaçou realizar uma ação militar contra a Colômbia, chamando Petro de "um homem doente que gosta de fabricar cocaína e vendê-la para os EUA, e ele não vai fazer isso por muito tempo".
O Times disse que a ligação telefônica de Trump com Petro durou cerca de uma hora e "pareceu dissipar qualquer ameaça imediata de ação militar dos EUA".