Donald Trump minimizou os riscos da inteligência artificial, classificando os críticos como forças negativas e rejeitando freios regulatórios para manter a liderança dos EUA contra a China. A postura contrasta com alertas de pesquisadores sobre riscos existenciais e com a proposta de líderes do setor, como Dario Amodei, Elon Musk e Sam Altman, que defendem desacelerar e coordenar o avanço da tecnologia para gerenciar ameaças militares e de segurança em meio à disputa global.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comparou neste domingo os críticos da inteligência artificial a "forças muito negativas" que levantam cenários que não vão acontecer, e afirmou que quer garantir que os EUA continuem sendo líderes do setor.
"Estamos à frente da China em IA. Somos o país mais sofisticado do mundo e, francamente, quero que continue assim, porque quem vencer na IA vence", disse Trump a repórteres em seu campo de golfe na Irlanda, quando questionado se o setor de IA deveria desacelerar ou ser mais regulamentado.
"Poderíamos estabelecer limites. Podemos fazer isso e aquilo. Mas acho que há muitas forças muito negativas levantando essa questão, que não deveriam estar fazendo isso, e estão trazendo à tona coisas que não vão acontecer."
Trump tem resistido a alimentar preocupações sobre a IA.
O debate público sobre a IA se intensificou nos EUA depois que dois pesquisadores da Anthropic alertaram que o rápido avanço da tecnologia poderia levar à extinção da raça humana em um futuro não muito distante.
Em seu segundo mandato, Trump tem apoiado amplamente as empresas de IA. Esses líderes do setor de IA e outras empresas de tecnologia também têm apoiado as iniciativas de Trump.
Executivos do setor de IA injetaram dinheiro na campanha para as eleições legislativas de meio de mandato, que acontecerão em 3 de novembro e determinarão o controle do Congresso dos EUA.
O grupo de financiamento eleitoral do presidente-executivo da SpaceX, Elon Musk, o America PAC, já gastou milhões apoiando candidatos republicanos e deve desempenhar um papel importante nos esforços para aumentar a participação eleitoral.
O Pentágono alertou este ano sobre os riscos do modelo da Anthropic.
Após os alertas dos pesquisadores, alguns presidentes-executivos do setor de IA estão pressionando para que o avanço dos modelos seja desacelerado.
No sábado, o presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, apresentou uma estrutura em três etapas destinada a moderar o ritmo do desenvolvimento e criar mais tempo para gerenciar os riscos. A proposta recebeu imediatamente o apoio de vários outros executivos de grandes empresas de IA, incluindo Musk e o presidente-executivo da OpenAI, Sam Altman.
Em uma entrevista exibida no domingo no programa da CBS "Face the Nation with Margaret Brennan", Amodei disse que a competição entre empresas de IA dos EUA e da China é o "dilema mais difícil" na tentativa de estabelecer um "limite de velocidade" para o ritmo de desenvolvimento da IA.
"Não devemos nos iludir, porque os incentivos para sair na frente e a vantagem militar que se obtém com isso são tão grandes que a capacidade de verificar se o outro lado não está trapaceando precisa ser irrefutável", disse ele. "Portanto, acho que isso vai levar anos, e, honestamente, não sei se é possível."
Jacob Coxon, um dos pesquisadores da Anthropic que se demitiu e depois emitiu os alertas, defendeu que os EUA trabalhem em conjunto com outros países para garantir um ritmo equilibrado.
"Acho que precisamos de coordenação internacional; caso contrário, corremos o risco de entrar na mesma corrida que a China, o que poderia ser igualmente perigoso", disse Coxon no programa Meet the Press, da NBC.