Trump diz que deputadas muçulmanas Omar e Tlaib devem ser expulsas dos EUA após conflito durante discurso

25 fev 2026 - 20h43

O presidente Donald Trump disse nesta quarta-feira ‌que as deputadas democratas muçulmanas Ilhan Omar e Rashida Tlaib deveriam ser "internadas" e enviadas de volta para "onde vieram", um dia depois de terem uma discussão acalorada com ele durante seu discurso sobre o Estado da União.

Durante o discurso de Trump na terça-feira, Tlaib, palestina-americana, e Omar, somali-americana, criticaram Trump enquanto ele elogiava a ⁠política de imigração linha-dura de seu governo e suas ações de fiscalização da imigração.

Publicidade

Tanto ‌Omar quanto Tlaib gritaram "você está matando americanos" para Trump durante seu discurso, com Omar também chamando-o de "mentiroso".

Em uma postagem no Truth Social na quarta-feira, Trump ‌disse que as duas deputadas "tinham os olhos salientes e ‌vermelhos de pessoas loucas, LUNÁTICAS, mentalmente perturbadas e doentes que, francamente, ⁠parecem que deveriam ser internadas".

"Devemos mandá-las de volta para onde vieram — o mais rápido possível", acrescentou Trump. Tanto Omar quanto Tlaib são cidadãs norte-americanas.

O líder da minoria na Câmara dos Deputados dos EUA, Hakeem Jeffries, classificou a retórica de Trump contra Tlaib e Omar como "xenófoba" e "vergonhosa". Tlaib disse no X que os comentários de ‌Trump mostravam que "ele está perdendo o controle".

Publicidade

O grupo de defesa dos muçulmanos Conselho de ‌Relações Americano-Islâmicas também disse que ⁠os comentários de ⁠Trump foram racistas.

"É racista e intolerante dizer que duas parlamentares muçulmanas dos EUA devem ser ⁠enviadas para o país onde nasceram ou ‌de onde vieram seus ancestrais ‌com base em suas críticas ao assassinato de norte-americanos pela ICE", disse o vice-diretor nacional do grupo, Edward Ahmed Mitchell.

A Casa Branca não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. A secretária de imprensa da Casa Branca, ⁠Karoline Leavitt, disse na semana passada que membros da mídia "difamaram" o presidente como racista.

As ações de Trump em relação à imigração foram criticadas após dois tiroteios fatais separados em janeiro contra cidadãos norte-americanos por agentes federais em Minnesota. Pelo menos oito pessoas morreram em centros de ‌detenção da Imigração e Alfândega dos EUA desde o início de 2026, após pelo menos 31 mortes no ano passado.

Durante seu discurso na terça-feira, Trump reiterou ⁠sua acusação de que as comunidades somalis nos EUA se envolveram em fraudes e afirmou que "piratas somalis" saquearam Minnesota. Seu governo usou alegações de fraude para enviar agentes federais de imigração armados a Minnesota.

Publicidade

Trump apresentou suas ações como tendo o objetivo de combater fraudes e melhorar a segurança interna.

Grupos de direitos humanos afirmam que a repressão criou um ambiente de medo e que Trump usou casos isolados de fraude como desculpa para perseguir imigrantes. Eles também rejeitam a capacidade de Trump de combater a fraude, citando os perdões concedidos por ele a pessoas que foram condenadas por fraude no passado.

Trump também enfrentou críticas recentemente depois que sua conta nas redes sociais postou um vídeo que continha uma representação racista do ex-presidente Barack Obama e sua esposa Michelle Obama.

Reuters - Esta publicação inclusive informação e dados são de propriedade intelectual de Reuters. Fica expresamente proibido seu uso ou de seu nome sem a prévia autorização de Reuters. Todos os direitos reservados.
Curtiu? Fique por dentro das principais notícias através do nosso ZAP
Inscreva-se