Quatro pessoas que entraram em águas cubanas em uma lancha registrada nos Estados Unidos foram mortas a tiros por agentes da Guarda Costeira nesta quarta-feira (25/2), informou o governo de Cuba.
O incidente aconteceu perto de Cayo Falcones, na província central de Villa Clara.
Segundo o Ministério do Interior de Cuba, os passageiros da lancha dispararam contra uma embarcação da Guarda Costeira quando foram interceptados. Como resultado, houve troca de tiros.
Além dos quatro óbitos, seis passageiros que estavam na lancha americana ficaram feridos. O comandante da patrulha também foi atingido pelos disparos.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse que as nacionalidades das pessoas a bordo ainda é desconhecida e que os EUA "tomarão decisões com base nos fatos. No momento, estamos reunindo informações".
Ele também afirmou que a lancha não carregava funcionários do governo americano.
As identidades das pessoas na embarcação dos EUA e o que elas estavam fazendo no local não estão claros.
O governo cubano informou que uma investigação foi aberta para esclarecer os fatos.
Em comunicado publicado na rede social X, o ministério disse que a lancha registrada na Flórida, com o número de registro FL7726SWH, foi avistada perto de Cayo Falcones na manhã desta quarta.
Quando uma embarcação cubana com cinco integrantes da Guarda Costeira se aproximou do veículo para identificação, "os tripulantes da lancha atiraram", ferindo o comandante cubano, segundo o comunicado.
"Como consequência do confronto, quatro pessoas que estavam na lancha foram mortas e seis ficaram feridas".
Os feridos foram socorridos e receberam atendimento médico.
Em entrevista a repórtes em São Cristóvão e Névis, onde viajou para se reunir com líderes caribenhos — em meio ao esforço da administração de Donald Trump para aumentar a pressão sobre o governo cubano — Rubio disse que era "extremamente incomum ver tiroteiros em alto-mar como esse".
"Não é algo comum que acontece todos os dias", afirmou.
"Vamos descobrir exatamente o que aconteceu, quem esteve envolvido, e tomaremos uma decisão com base no que apurarmos", continuou.
Ele prometeu que investigadores dos Estados Unidos agirão "rapidamente" para reunir as principais informações sobre o caso e que a Guarda Costeira dos EUA já se deslocou para as "proximidades" do ataque.
"Não sei quem está de posse da embarcação. Essa é a primeira coisa que queremos esclarecer", afirmou.
"Obviamente queremos ter acesso a essas pessoas, caso sejam cidadãos americanos ou residentes nos Estados Unidos."
Mas acrescentou que os EUA não se basearão nas informações fornecidas pelo governo cubano, e que Washington verificará de forma independente os fatos do caso.
Deputados pedem investigação
O incidente ocorre em meio ao aumento das tensões entre os EUA e Cuba, que enfrenta uma crise de combustíveis cada vez mais grave, agravada pelo bloqueio imposto pelos EUA ao fornecimento de petróleo da Venezuela, um aliado de longa data para a ilha.
A declaração cubana fez alusão a essas tensões, afirmando que "diante dos desafios atuais, Cuba reafirma sua determinação em proteger suas águas territoriais" e salvaguardar sua soberania.
O incidente de quarta-feira levou vários legisladores da Flórida a pedir uma investigação e a criticar o governo cubano.
O congressista da Flórida, Carlos Gimenez, ex-prefeito cubano-americano de Miami, disse que exigiria uma investigação sobre o que chamou de "massacre".
Ele acrescentou que as autoridades americanas "devem determinar se alguma das vítimas era cidadã americana ou residente legal".
A congressista da Flórida, María Elvira Salazar, afirmou nas redes sociais que estava acompanhando a situação e "aguardando mais detalhes das autoridades americanas".
Já James Uthmeier, procurador-geral da Flórida, afirmou que orientaria as autoridades policiais locais a investigar o incidente.
"O governo cubano não é confiável e faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para responsabilizar esses comunistas", afirmou.
No Senado, o republicano Rick Scott exigiu "uma investigação completa desta situação profundamente preocupante e para determinar o que aconteceu".
"O regime comunista cubano precisa ser responsabilizado!", acrescentou.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, afirmou que a Casa Branca está "monitorando" a situação.
"Espero que não seja tão grave quanto tememos", disse ele em um evento em Washington.
"Mas não posso dizer mais, porque simplesmente não sei mais."