Trump diz que aceitou 'conversar' com lideranças do Irã

Regime deu início ao processo de transição após morte de Khamenei

1 mar 2026 - 14h19
(atualizado às 15h01)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que aceitou "conversar" com as lideranças iranianas, após a morte do guia supremo Ali Khamenei em um ataque conjunto com Israel em Teerã, no último sábado (28).

Dissidentes iranianos agradecem a Trump em manifestação em Los Angeles
Dissidentes iranianos agradecem a Trump em manifestação em Los Angeles
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

"Eles querem conversar, e eu aceitei conversar, então vou falar com eles. Eles deveriam ter feito isso mais cedo", afirmou o republicano em entrevista à revista americana The Atlantic.

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"Eles deveriam ter entregado antes o que era muito prático e fácil de fazer. Demoraram demais", acrescentou. Trump, no entanto, não respondeu quando a conversa irá ocorrer e disse que muitos dos dirigentes envolvidos nas negociações foram mortos.

"Algumas das pessoas com quem estávamos lidando já se foram, porque foi um grande, grande golpe. Eles deveriam ter feito isso antes, podiam ter feito um acordo", afirmou. Além disso, o presidente desconversou ao ser questionado se manteria a campanha contra o Irã para apoiar uma revolta popular, após ter pedido que os iranianos tomassem as ruas para derrubar o regime dos aiatolás.

"Não posso dar uma resposta a essa pergunta, vou olhar para a situação", ressaltou.

O Irã terá de enfrentar agora uma profunda reorganização de sua estrutura teocrática, após, segundo Trump, os ataques iniciados no último sábado terem matado "48 líderes em um só golpe".

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O principal deles é o guia supremo Ali Khamenei, que controlava o país desde 1989, quando sucedeu a Ruhollah Khomeini, líder da Revolução Islâmica.

Além de Khamenei, perderam a vida o comandante da Guarda Revolucionária, Mohammad Pakpour, e o chefe do Conselho de Defesa, Ali Shamkhani, figuras de destaque no regime. Outras baixas são o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Abdolrahim Mousavi, e o chefe de inteligência da Polícia, Gholamreza Rezaian.

Segundo Israel, a campanha militar busca "eliminar ameaças concretas e existenciais" ao país e "criar as condições operacionais para a queda do regime" no Irã.

"Nos próximos dias, atingiremos milhares de alvos do regime do terror. Criaremos as condições para que os corajosos cidadãos iranianos possam se libertar da cadeia da tirania. Cidadãos do Irã, não percam essa oportunidade, que se apresenta apenas uma vez por geração. Saiam às ruas aos milhões para levar a tarefa até o fim", disse o premiê israelense, Benjamin Netanyahu, em um vídeo em farsi no X.

Transição

Enquanto a onda de ataques continua, o Irã deu início ao processo para a sucessão de Khamenei, que será guiado pelo presidente Masoud Pezeshkian, pelo chefe do poder Judiciário, Gholamhossein Ejei, e pelo jurista islâmico Alireza Arafi. "Continuaremos o percurso traçado pelo líder supremo, estávamos preparados para um momento como este", assegurou o mandatário do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf.

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Um dos cotados para a sucessão de Khamenei é Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional e uma das principais figuras do chamado conservadorismo pragmático no Irã.

"Os grupos que tentam dividir o Irã devem saber que não vamos tolerar isso", declarou Larijani em uma entrevista transmitida pela TV estatal, convidando os iranianos a "se unir". Ele também prometeu que o assassinato de Khamenei "não ficará sem resposta". "Os Estados Unidos, que desejam saquear os recursos do país, caíram na armadilha de Israel", salientou.

Já o presidente Pezeshkian declarou que a morte do guia supremo equivale a uma "declaração de guerra contra todos os muçulmanos" e que vingar seu falecimento "é um direito e também um dever legítimo".

A escolha do novo líder supremo cabe à Assembleia dos Peritos, que é composta por 88 clérigos, em sua maioria representantes de setores conservadores do regime. Segundo o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, a definição do novo guia supremo pode ocorrer em até "um ou dois dias".

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