Apesar de reveses judiciais, Donald Trump insiste na criação inédita de listas federais com dados confidenciais de eleitores pelo Departamento de Segurança Interna, sob a justificativa de combater votos ilegais de não cidadãos. A medida, alvo de ação judicial em Maryland por violar leis de privacidade e usurpar a gestão estadual do pleito, é criticada por poder suprimir eleitores legítimos favoráveis aos democratas, apoiando-se em alegações infundadas de fraudes eleitorais generalizadas.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está levando adiante uma iniciativa sem precedentes para que seu governo obtenha dados confidenciais dos eleitores antes das eleições de meio de mandato nos EUA, apesar das repetidas derrotas nos tribunais, em uma busca por não cidadãos registrados ilegalmente para votar, embora não haja evidências de fraude generalizada desse tipo.
Em resposta a uma contestação judicial contra um elemento-chave dos planos de Trump, advogados do Departamento de Justiça devem solicitar, nesta sexta-feira, a um juiz federal em Maryland que não impeça o Departamento de Segurança Interna (DHS, na sigla em inglês) de criar listas de cidadãos norte-americanos com direito a voto. Os pares republicanos de Trump estão lutando para manter o controle do Congresso nas eleições de meio de mandato de 3 de novembro.
A juíza federal Paula Xinis, de Greenbelt, em Maryland, está conduzindo uma audiência em um processo movido por defensores da privacidade que buscam impedir os planos do departamento de implementar um decreto assinado por Trump em março. O decreto instruía o DHS a criar as listas de cidadãos utilizando dados armazenados em todo o governo federal e a compartilhá-las com autoridades eleitorais estaduais. De acordo com o decreto, autoridades estaduais poderiam enfrentar processo criminal caso se constatasse que pessoas inelegíveis tivessem votado em seus Estados.
O governo federal nunca havia compilado tais listas anteriormente. A Constituição dos Estados Unidos atribui a administração das eleições federais a cada Estado.
Os autores da ação argumentam que o plano do DHS de criar as listas coletaria informações sobre cidadãos norte-americanos de outras entidades do governo federal, incluindo a Administração da Previdência Social, de maneiras que violam as leis de privacidade.
Há anos, Trump vem fazendo alegações falsas sobre fraudes eleitorais generalizadas nos Estados Unidos, incluindo sua derrota para o democrata Joe Biden na eleição presidencial de 2020. Trump, que afirmou estar agindo para proteger a integridade das eleições norte-americanas, também alegou que os Estados não estão fazendo o suficiente para remover não cidadãos e pessoas falecidas de suas listas de eleitores.
Críticos afirmam que a atual iniciativa de Trump visa privar do direito de voto eleitores qualificados que tendem a apoiar os democratas.
Eles observam que um banco de dados federal de imigração conhecido como SAVE — que é uma das fontes que a decreto de Trump determina que o DHS consulte na elaboração de suas listas de eleitores qualificados — sinalizou erroneamente como não cidadãos alguns norte-americanos que são cidadãos naturalizados dos EUA e estão devidamente registrados para votar. Vários Estados liderados por republicanos já cruzaram seus cadernos eleitorais com o SAVE.