O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta quarta-feira (17) retomar os bombardeios contra o Irã se o país "não se comportar bem", a apenas dois dias da assinatura do acordo preliminar entre Washington e Teerã, prevista para sexta-feira (19), na Suíça.
"Este não é um texto final, é um protocolo de acordo", disse Trump em encontro bilateral com o presidente egípcio, Abdel Fattah al-Sisi, à margem da cúpula do G7 em Évian-les-Bains, na França. "Se eu não gostar, se eles não se comportarem bem, recomeçaremos a lançar bombas bem em cima de suas cabeças", acrescentou.
O presidente americano afirmou que os iranianos "se comportaram mal por 47 anos", em referência à instauração da República Islâmica, em 1979. Trump também negou que os Estados Unidos vão investir no Irã como parte do acordo, cujos detalhes ainda não foram divulgados oficialmente. "É falso. Nós não investiremos nem 10 centavos", declarou.
Enquanto isso, a Bloomberg News publicou que o pacto entre Washington e Teerã consiste em 14 pontos, começando pela cessação "imediata e permanente da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano".
Além disso, as partes se comprometem a "respeitar reciprocamente a soberania e a integridade territorial, a se abster de qualquer ingerência em assuntos internos do outro" e a "negociar e alcançar um acordo final dentro de um período máximo de 60 dias, prorrogável por consenso mútuo".
O texto também prevê a revogação do bloqueio naval dos EUA contra o Irã e a retirada das forças americanas das regiões circundantes em até 30 dias após a conclusão do tratado definitivo. Já o Irã, segundo o documento divulgado pela Bloomberg, adotará "medidas para garantir que o tráfego de navios mercantis" no Estreito de Ormuz "retorne aos níveis anteriores à guerra".
Ainda está previsto que os Estados Unidos vão contribuir para a elaboração de um "plano de reabilitação e desenvolvimento" da República Islâmica, que garanta ao menos US$ 300 bilhões em financiamento. De acordo com o texto, os EUA se empenham a levantar progressivamente as sanções contra o Irã, que, por sua vez, se compromete a não produzir armas nucleares.
Durante as negociações do pacto definitivo, o status quo será mantido: Teerã não vai alterar seu programa de energia atômica, e Washington não aplicará novas sanções nem aumentará a presença militar na região.
Já os fundos e bens iranianos congelados no Ocidente serão "desbloqueados e disponibilizados" conforme os "progressos nas negociações para um acordo final", e os EUA concederão permissões, após a assinatura do memorando de entendimento, para a exportação de petróleo e derivados da República Islâmica.