O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou estar aberto à possibilidade de retirar os agentes do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) de Minneapolis, embora não tenha indicado um prazo para a eventual saída.
A declaração foi dada durante entrevista por telefone ao Wall Street Journal no último domingo (25), após as mortes de dois cidadãos norte-americanos por agentes federais em Minneapolis.
"Em algum momento, nós iremos embora. Já fizemos isso, eles fizeram um trabalho fenomenal", afirmou o republicano.
Questionado se a retirada ocorreria em breve, Trump elogiou o que o governo já fez em Minnesota e explicou que o governo pretende manter no estado uma equipe dedicada ao combate a fraudes financeiras.
De acordo com o presidente dos EUA, a intensificação da fiscalização migratória em Minnesota foi motivada por um "escândalo generalizado" de fraude em programas de assistência social, envolvendo comunidades de imigrantes somalis.
"É a maior fraude que já vimos", declarou, acrescentando que casos semelhantes podem ser "muito maiores" na Califórnia.
Na mesma entrevista, Trump comentou o caso do homem morto a tiros por um agente federal durante protestos no último fim de semana. Alex Jeffrey Pretti, de 37 anos, morreu durante uma operação de imigração em Minneapolis, no sábado (24).
O líder norte-americano evitou dizer diretamente, quando questionado duas vezes, se a ação do agente foi correta e afirmou que o governo ainda está investigando o episódio: "Estamos analisando tudo e avaliando, e tomaremos uma decisão sobre isso".
Embora tenha evitado um julgamento direto, Trump criticou a vítima - Pretti - por portar uma arma durante o protesto.
"Eu não gosto de atirar. Eu não gosto disso. Mas também não gosto quando alguém vai a um protesto com uma arma muito potente, totalmente carregada", afirmou ele, ressaltando que "isso também não é um bom sinal". "É uma arma que dispara quando as pessoas não percebem".
O Departamento de Segurança Interna informou que Pretti carregava uma pistola semiautomática de 9 mm - ele tinha autorização legal para portar uma arma de fogo.
As declarações de Trump provocaram reações políticas, como a do ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton, que acusou o magnata de mentir sobre os acontecimentos em Minneapolis e pediu que os cidadãos americanos "se manifestem".
"Cabe a todos nós que acreditamos na promessa da democracia americana nos manifestarmos", afirmou Clinton, condenado o que classificou como "cenas horríveis" e destacando que o governo Trump "mentiu para nós" sobre as duas mortes.
A morte de Pretti é o segundo caso fatal envolvendo operações de imigração em Minneapolis, em menos de um mês. Em 7 de janeiro, Renee Good foi morta.