Tropas israelenses prendem palestinos em aldeia da Cisjordânia após tiroteio

25 jul 2026 - 13h06

Forças israelenses prenderam dezenas de palestinos na Cisjordânia ‌ocupada neste sábado, depois que pelo menos quatro palestinos e dois soldados israelenses foram mortos em um tiroteio quando colonos israelenses armados se aproximaram de uma aldeia palestina.

Autoridades palestinas na Cisjordânia afirmaram que os tiroteios de sexta-feira foram provocados pelos colonos, que tinham como objetivo atacar moradores da vila de Tal, a sudoeste de Nablus. As forças armadas israelenses inicialmente descreveram os civis israelenses envolvidos no incidente como pessoas ⁠percorrendo uma trilha, mas posteriormente reconheceram que alguns estavam armados e afirmaram que ambos os lados abriram ‌fogo antes da intervenção das tropas.

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O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, prometeu tomar "medidas enérgicas" em resposta ao incidente, incluindo a demolição da casa da família de um dos palestinos envolvidos. O gabinete de Netanyahu ‌informou que vai acelerar a aprovação da construção de mais ‌assentamentos israelenses na região.

PALESTINOS DETIDOS

Walid Zidan, prefeito de Tal, disse que cerca de 70 pessoas da ⁠vila foram detidas e interrogadas em um centro de verificação de campo instalado em uma casa na vila. Cerca de 10 a 12 já haviam sido liberadas até o momento, informou ele à Reuters por telefone.

"As invasões de casas continuam, patrulhas do exército circulam pelas ruas e não há pessoas nas ruas", disse ele.

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As forças armadas israelenses informaram que as forças de segurança haviam interrogado 80 pessoas na ‌região de Tal e prendido 11 delas.

Dezenas de outras pessoas foram presas em batidas em toda a Cisjordânia, ‌informou o exército israelense, incluindo algumas ⁠que descreveu como suspeitas ligadas ⁠ao grupo militante Hamas.

Centenas de milhares de colonos israelenses vivem entre milhões de palestinos na Cisjordânia, território que Israel ⁠conquistou em uma guerra em 1967. Quase todos os ‌países e órgãos da ONU consideram ‌esses assentamentos ilegais segundo o direito internacional. Israel contesta isso, citando laços bíblicos e históricos com a terra.

Nos últimos meses, houve um aumento acentuado nos ataques de colonos israelenses a aldeias palestinas.

O incidente de sexta-feira ocorreu na chamada "Área A" da Cisjordânia, onde as autoridades palestinas detêm o controle ⁠administrativo e a entrada de civis israelenses é proibida pela legislação israelense. A Área A compreende menos de um quinto da Cisjordânia.

ÍMAGENS MOSTRAM CONFRONTO E TIROTEIO

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Imagens que circulam nas redes sociais do incidente que levou ao tiroteio de sexta-feira parecem mostrar um confronto confuso entre uma multidão de moradores da aldeia e um grande grupo de israelenses, pelo menos alguns ‌deles armados, com soldados também visíveis.

Em determinado momento, pelo menos dois israelenses são vistos empurrando e golpeando palestinos com as coronhas de seus fuzis, antes que um dos palestinos se apegue a uma ⁠das armas e, aparentemente, seja morto a tiros.

Ao fundo, ouvem-se vozes gritando em hebraico "Saiam daqui", "Ele está tentando roubar a arma. Ele roubou a arma" e "Atirem nele!". Ouve-se a voz de uma criança gritando "Vingança!".

A Reuters não conseguiu autenticar as imagens de forma independente.

O chefe do Exército de Israel, tenente-general Eyal Zamir, afirmou que a operação de segurança lançada após os tiroteios teve como objetivo "frustrar o terrorismo, garantir a segurança dos civis israelenses e impedir uma nova escalada".

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Zidan, o prefeito, disse que o incidente foi desencadeado por colonos israelenses que assediavam deliberadamente a aldeia.

"Os colonos não estavam seguindo uma rota ou trilha, como alegam. Eles tinham a intenção de atacar as casas", disse Zidan. "As pessoas não foram até lá procurando um confronto com eles; estavam simplesmente defendendo suas casas, nada mais e nada menos."

O aumento acentuado dos ataques de colonos a aldeias palestinas na Cisjordânia, observado nos últimos meses, gerou condenação por parte de agências internacionais e países europeus, mas pouco contribuiu para reverter a tendência.

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