Tribunal da UE mantém lei de anistia da Espanha para separatistas catalães

16 jul 2026 - 09h31
(atualizado às 11h07)

Uma lei espanhola ‌contestada que concede anistia aos envolvidos no movimento separatista da Catalunha não viola as normas da União Europeia, afirmou na quinta-feira o tribunal superior do bloco, em um impulso ao governo espanhol e aos seus aliados catalães.

A anistia, aprovada ⁠pelo Parlamento espanhol em 2024, fazia parte de um acordo ‌entre o Partido Socialista, no poder, e grupos separatistas catalães que permitiu ao primeiro-ministro Pedro Sánchez permanecer no poder ‌em 2023. A oposição conservadora fez ‌várias tentativas frustradas de bloquear a anistia.

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"(O tribunal) não ⁠se opõe a uma lei que, com o objetivo de reduzir tensões institucionais e políticas e facilitar um processo de reconciliação, prevê a extinção da responsabilidade criminal", afirmou Koen Lenaerts, presidente do Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE).

Em sua ‌decisão, o TJUE determinou que a adoção e a aplicação da ‌lei são de ⁠competência da Espanha.

A ⁠anistia é o projeto de lei marcante do segundo mandato de Sánchez, ⁠que tem sido marcado ‌pela dificuldade do governo ‌de esquerda minoritário em aprovar leis e por escândalos de corrupção que afetam seu partido e sua família.

A decisão pode ajudar a amenizar as tensões entre os ⁠socialistas e o partido separatista da Catalunha Junts, que retirou seu apoio parlamentar no ano passado, citando a falta de plena implementação da lei de anistia como um dos motivos.

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O ministro da Justiça, Félix ‌Bolaños, celebrou a decisão.

"Todos os espanhóis, sem exceção, são beneficiários da lei de anistia", disse ele, pedindo sua plena ⁠implementação no que diz respeito aos políticos separatistas de alto escalão.

Das cerca de 1.600 pessoas que poderiam ser perdoadas, mais de 300 receberam anistia por crimes e infrações administrativas relacionadas ao movimento separatista da Catalunha desde 2011 e à tentativa de secessão da Espanha em 2017, segundo o grupo civil catalão Omnium.

Ainda assim, o ex-líder catalão Carles Puigdemont mostrou-se otimista, saudando a decisão como uma "vitória retumbante" para o movimento independentista que "não deixa nenhuma brecha pela qual nossa vitória possa ser contestada" e apelando para que se siga em frente com a causa da independência.

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