Supostas vítimas de Rupnik cobram respostas do Vaticano sobre processo por abusos

Padre acusado por freiras foi responsável por obras dos mosaicos de Aparecida

21 jul 2026 - 15h07
(atualizado às 16h27)

Cinco supostas vítimas do padre e mosaicista Marko Rupnik, ex-jesuíta expulso da Companhia de Jesus em 2023 após acusações de abusos sexuais, físicos e psicológicos contra freiras, afirmaram estar "desanimadas e angustiadas" diante da falta de informações sobre o andamento do processo conduzido pelo Vaticano.

Em carta enviada, por meio da advogada Laura Sgrò, ao prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, cardeal Victor Manuel Fernández, elas cobram transparência e dizem sentir-se "traídas e abandonadas", embora reafirmem que não desistirão de buscar justiça.

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A manifestação ocorre após a circulação de rumores, ainda sem confirmação oficial, de que Rupnik teria sido absolvido de uma acusação de violência sexual. Segundo a advogada das supostas vítimas, a ausência de qualquer posicionamento por parte das autoridades vaticanas ampliou a insegurança das denunciantes.

"Minhas clientes estão profundamente desanimadas e angustiadas. Elas jamais foram informadas de nada ? nem mesmo por meu intermédio ? a respeito deste processo. Há muitas especulações, mas nenhuma informação concreta", escreveu Sgrò na carta.

A advogada questiona como o silêncio das autoridades pode ser conciliado com "os conceitos de direito, verdade, justiça e equidade" e com os reiterados apelos do papa Leão XIV em favor das vítimas de abuso.

No documento, ela solicita esclarecimentos sobre questões consideradas essenciais: se o julgamento já foi iniciado, em que fase se encontra, quem integra o tribunal, qual foi o resultado dos pedidos para que as denunciantes fossem reconhecidas como partes lesadas e por que elas ainda não foram ouvidas como testemunhas.

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Segundo Sgrò, a falta de respostas representa "uma nova violência" contra as mulheres, cujas feridas permanecem abertas após décadas desde as primeiras denúncias.

A última informação oficial divulgada pelo Vaticano sobre o caso data de 13 de outubro de 2025, quando o Dicastério para a Doutrina da Fé anunciou a nomeação de cinco juízes para conduzir o processo contra Rupnik.

Na ocasião, foi informado que o tribunal contaria, de forma inédita, com mulheres e membros externos ao Dicastério, com o objetivo de garantir autonomia e independência ao julgamento.

Desde então, porém, não houve novas comunicações oficiais sobre o andamento do processo.

Rupnik, ex-integrante da Companhia de Jesus, foi expulso da ordem em 2023 após ser acusado de abusos sexuais, físicos e psicológicos. Embora alguns de seus mosaicos tenham sido cobertos, como nas entradas principais da Basílica do Rosário, em Lourdes, suas obras permanecem expostas em mais de 200 igrejas e santuários ao redor do mundo, incluindo em Aparecida, no Brasil.

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As cinco denunciantes, entre elas ex-religiosas, afirmam ter manifestado repetidas vezes disposição para colaborar com as investigações, mas dizem nunca terem recebido resposta aos pedidos para participar formalmente do processo.

Rupnik se viu no centro do escândalo que abalou o mundo católico em novembro de 2022, quando emergiram acusações de abuso contra 25 denunciantes, a maioria então freiras, na década de 1990. Uma das mulheres que relatam ter sido vítima, cujo nome não foi divulgado, descreveu os abusos como "uma descida ao inferno".

O religioso chegou a ser excomungado por violação do sexto mandamento (sobre atos contra a castidade), considerado pela Igreja um delito gravíssimo, mas o ato foi suspenso posteriormente.

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