Serviço de imigração dos EUA detém presidente da Sociedade Islâmica de Milwaukee, diz mesquita

2 abr 2026 - 18h07

O presidente da Sociedade Islâmica ‌de Milwaukee (ISM, na sigla em inglês), Salah Sarsour, que é palestino-americano, foi detido pela agência de Imigração e Alfândega dos EUA, informou a mesquita nesta quinta-feira.

Maior mesquita de Wisconsin, a ISM disse que Sarsour, de 53 anos, é um residente permanente legal que vive nos EUA há mais de três ⁠décadas e foi detido na segunda-feira. Ele cresceu na Cisjordânia ocupada por Israel.

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"Ele ‌foi parado enquanto dirigia por mais de 10 agentes do ICE sem motivo", disse uma página no site da mesquita, acrescentando que ele foi ‌levado para fora do Estado a um centro ‌de detenção em Chicago antes de ser transferido para um centro ⁠de detenção em Indiana.

O ICE e o Departamento de Segurança Interna, do qual o ICE faz parte, não responderam a um pedido de comentário.

O Milwaukee Journal Sentinel citou Othman Atta, diretor-executivo da mesquita, dizendo que os documentos de deportação tomaram como base a prisão de Sarsour pelas autoridades israelenses quando ‌ele era adolescente e morava na Cisjordânia, sob a acusação de ter fornecido ‌apoio material a extremistas.

Atta ⁠disse que Sarsour foi ⁠condenado quando adolescente em um tribunal militar israelense, de acordo com o Milwaukee Journal ⁠Sentinel. Embora Israel tenha ratificado a ‌convenção da Onu contra a ‌tortura, o grupo de direitos israelenses B'Tselem afirma que os tribunais militares na Cisjordânia, onde os palestinos são julgados por supostos crimes, têm uma taxa de condenação de 96% e um histórico de extração de ⁠confissões por meio de tortura.

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Atta negou que Sarsour apoie o grupo militante Hamas.

Sarsour está "sendo alvo com base em sua origem palestina e muçulmana e em sua defesa dos direitos palestinos", disse a mesquita.

O governo do presidente Donald Trump tem implementado uma repressão à ‌imigração condenada por grupos de direitos, que a consideram uma violação do devido processo legal e da liberdade de expressão. Grupos de defesa afirmam foi ⁠criado um ambiente inseguro para as minorias.

Trump reprimiu especialmente as vozes pró-palestinas ao tentar deportar manifestantes estrangeiros, ameaçando congelar o financiamento de universidades onde protestos foram realizados e ordenando a triagem dos comentários online dos imigrantes.

A repressão tem enfrentado obstáculos judiciais. Muitos dos manifestantes que foram alvo de deportação foram liberados da detenção por ordens judiciais enquanto seus casos prosseguiam. Os juízes também bloquearam algumas das tentativas de Trump de congelar fundos para universidades.

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Trump acusa os manifestantes de serem antissemitas e de apoiarem extremistas. Os manifestantes, incluindo alguns grupos judeus, dizem que ele confunde erroneamente a crítica ao ataque de Israel a Gaza com antissemitismo e a defesa dos direitos palestinos com apoio ao extremismo.

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