Rússia minimiza novo teto de preço do petróleo da UE e diz que está imune a sanções

18 jul 2025 - 10h20

Fontes do governo russo e do comércio minimizaram o impacto das novas restrições ao comércio do petróleo russo que a União Europeia aprovou na sexta-feira em um novo pacote de sanções contra Moscou por causa do conflito na Ucrânia.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, também disse que a Rússia construiu uma certa imunidade às sanções ocidentais.

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A Rússia conseguiu vender a maior parte de seu petróleo acima do teto de preço de US$60 por barril, que o G7 tentou impor, já que o mecanismo não deixa claro quem deve fiscalizar sua implementação.

Desde 1º de abril, o petróleo dos Urais tem sido negociado, em sua maior parte, abaixo de US$60, em meio à queda do preço do petróleo bruto global de referência. O preço atual do petróleo dos Urais nos portos russos é de cerca de US$58 por barril, de acordo com cálculos da Reuters.

As sanções da UE visam ser mais eficazes ao estabelecer um limite de preço móvel 15% abaixo do preço médio de mercado do petróleo russo, disseram diplomatas da UE. Isso significa cerca de US$47,60 por barril no momento.

"Dissemos repetidamente que consideramos essas restrições unilaterais ilegais; nos opomos a elas", disse Peskov em uma teleconferência diária com repórteres.

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"Mas, ao mesmo tempo, é claro, já adquirimos uma certa imunidade contra as sanções; nos adaptamos à vida sob sanções."

"Além disso, cada novo pacote acrescenta um efeito negativo para os países que aderem a ele. Essa é uma faca de dois gumes", completou.

COMERCIANTES DUVIDAM DA EFICÁCIA DA NOVA MEDIDA

Comerciantes duvidam que as novas sanções da UE venham a interromper significativamente o comércio de petróleo russo, embora os vendedores possam enfrentar mais desafios para reservar os navios e aumentar os custos de transporte.

"O teto de preço de US$60 não funcionou, você acha que US$47 funcionará?", disse uma fonte do governo russo que pediu para permanecer anônima.

Os analistas afirmaram que a ausência dos EUA no esquema de limitação de preços da UE prejudicará ainda mais sua eficácia.

Um comerciante russo afirmou que as sanções europeias não são críticas e que apenas as sanções dos EUA são influentes.

Mas ele disse que o comércio seria mais desafiador para alguns transportadores ocidentais, incluindo alguns da Grécia, que estavam cada vez mais envolvidos no comércio de petróleo russo. Se alguns participantes desistirem, os custos de frete podem aumentar, segundo ele.

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Outra fonte comercial disse que a "toxicidade" do petróleo russo não aumentaria em razão das sanções, embora as opções para qualquer diversificação tenham se reduzido ainda mais.

A Rússia vende 80% de suas exportações para a China e a Índia, enquanto a Turquia também consome uma parte significativa do petróleo russo.

A Rússia ainda vende petróleo por meio do oleoduto Druzhba, construído pelos soviéticos, para Hungria, Eslováquia e República Tcheca.

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