O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, rejeitou "veementemente" nesta segunda-feira (16) as acusações de cinco países europeus de que a Rússia teria envenenado com uma "toxina rara" o líder da oposição Alexei Navalny, que morreu há exatos dois anos em uma colônia penal na Sibéria.
"É óbvio que nós não aceitamos essas acusações. Elas são tendenciosas e infundadas. E por isso as rejeitamos fortemente", afirmou Peskov, citado por agências russas.
Navalny mobilizou centenas de milhares de pessoas nas ruas em protestos contra a liderança do presidente Vladimir Putin, sendo o seu maior opositor durante anos. Aos 49 anos, ele morreu em uma colônia penal na Sibéria em 16 de fevereiro de 2024, enquanto cumpria uma sentença de 19 anos por "extremismo", acusação que ele e seus apoiadores afirmam ter sido uma punição por seu trabalho contra o governo.
No sábado (14), Reino Unido, Suécia, França, Alemanha e Holanda emitiram uma declaração conjunta alegando que Navalny foi envenenado com epibatidina ? uma toxina encontrada em rãs-flecha venenosas ? e que o Estado russo tinha os "meios, o motivo e a oportunidade" para administrá-la, ainda que não tenham informado como isso teria sido feito.
As autoridades russas declararam, à época do falecimento, que a morte do dissidente não era suspeita, mas teria sido causada por "doenças combinadas", incluindo uma arritmia cardíaca.
"Mesmo vivendo em condições duras [no cárcere], talvez sob tortura, tenho certeza que ele [Navalny] cuidava de si. Nos vimos um dia antes [do falecimento] por videochamada e ele parecia estar muito bem. Era evidente que algo de horrível aconteceu com ele e que foi feito por Vladimir Putin", declarou a ativista de direitos humanos e viúva de Navalny, Yulia Navalnaya, ao Politico.
No segundo aniversário da morte do opositor, alguns diplomatas em missão em Moscou, entre eles, um representante da Embaixada da Itália, depositaram flores no túmulo de Navalny nesta segunda.