Rússia apresenta protesto ao embaixador japonês por declarações de primeira-ministra japonesa

18 ago 2026 - 09h23
(atualizado às 10h14)

A Rússia apresentou um veemente ‌protesto ao embaixador do Japão em Moscou nesta terça-feira em relação ao que chamou de declarações anti-russas da primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, no contexto de uma disputa sobre um grupo de ilhas controladas pela Rússia na costa nordeste do Japão.

A convocação ⁠do embaixador Akira Muto por Moscou é o mais recente desdobramento ‌de uma disputa latente entre os dois países, após o presidente da Rússia, Vladimir Putin, ter visitado uma das ‌ilhas disputadas na semana passada.

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As quatro ilhas, ‌que a Rússia chama de Curilas do Sul e ⁠o Japão de Territórios do Norte, foram tomadas pela União Soviética nos dias seguintes à rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial.

A Rússia as controla e administra, mas Tóquio ainda reivindica a soberania sobre elas. Takaichi afirmou na semana passada que ‌a visita de Putin "feriu os sentimentos do povo japonês e é ‌absolutamente inaceitável".

O vice-ministro das ⁠Relações Exteriores ⁠da Rússia, Mikhail Galuzin, transmitiu o protesto de Moscou ao enviado japonês, ⁠informando-lhe que Moscou se opunha ‌às declarações "anti-russas" tanto de ‌Takaichi quanto do ministro das Relações Exteriores do Japão, Toshimitsu Motegi.

"O lado russo afirmou que a soberania e a jurisdição da Rússia sobre as Ilhas Curilas do Sul são ⁠indiscutíveis", declarou o ministério em comunicado após a reunião.

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Afirmou que as ilhas pertencem legalmente à Rússia, acrescentando: "Quaisquer tentativas da parte japonesa de, direta ou indiretamente, colocar em dúvida essa realidade óbvia são absolutamente inaceitáveis e ‌ilegais".

A disputa pelas ilhas, que permanece sem solução há oito décadas, tem impedido a Rússia e o Japão de assinarem ⁠um tratado de paz formal que possibilitaria laços econômicos mais estreitos entre os dois países.

As relações se deterioraram drasticamente desde que a Rússia iniciou uma guerra em grande escala contra a Ucrânia em 2022 e o Japão se juntou a outras nações para condená-la e impor sanções contra a Rússia.

Diante da participação do Japão nas sanções e de seu apoio à Ucrânia, foi comunicado a Muto que Moscou se reserva o direito de tomar "contramedidas apropriadas", segundo o comunicado russo, sem dar mais detalhes.

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O embaixador japonês deixou o Ministério das Relações Exteriores sem fazer comentários aos repórteres.

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