Retirada de marinheiros do Estreito de Ormuz começa, enquanto EUA tentam tranquilizar países do Golfo

A retirada de mais de 11 mil marinheiros retidos devido ao fechamento do Estreito de Ormuz começou nesta terça-feira (23), um sinal concreto de que o conflito no Oriente Médio caminha para uma solução, embora persistam divergências entre o Irã e os Estados Unidos sobre o programa nuclear iraniano.

23 jun 2026 - 15h32

A Organização Marítima Internacional (IMO), agência da ONU responsável pela segurança marítima, anunciou que o plano de evacuação está sendo implementado "em estreita cooperação com o Irã, Omã, os demais Estados costeiros da região, os Estados Unidos e o setor marítimo".

A medida representa um alívio para esses trabalhadores do mar, que estavam retidos havia vários meses, desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.

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Com a assinatura, na semana passada, de um memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã que incluiu a reabertura do Estreito de Ormuz, o tráfego marítimo pela via vem sendo retomado gradualmente. Na segunda-feira, o movimento alcançou seu nível mais alto desde o fim de fevereiro, com 37 embarcações transportando commodities, segundo dados da plataforma especializada Kpler.

As atenções agora se voltam para as consultas mediadas pelo Paquistão e pelo Catar, que buscam alcançar um acordo definitivo dentro de um prazo renovável de 60 dias.

Uma das principais questões das negociações é o futuro do Estreito de Ormuz. Uma equipe de negociadores iranianos, liderada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, viajou a Omã para discutir, principalmente, a gestão da via marítima.

Em comunicado conjunto, Omã e Irã afirmaram que analisarão os "custos" dos serviços relacionados à administração do estreito, ao mesmo tempo em que ressaltaram "sua soberania sobre as águas territoriais". Ghalibaf reafirmou que a passagem não retornará ao modelo de livre operação vigente antes da guerra e permanecerá sob "administração" iraniana.

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Rubio no Golfo

Em viagem pelos países do Golfo até quinta-feira, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, reiterou, ao chegar a Abu Dhabi, que Washington não aceitará a cobrança de pedágios ou taxas pela utilização da rota marítima.

Rubio também se comprometeu, nesta terça-feira, a tranquilizar os países do Golfo em relação ao memorando de entendimento com o Irã, diante dos temores de que Teerã saia fortalecido do acordo.

"Pontos não incluídos no memorando serão, sem dúvida, levantados, mas o acordo em si deve ser obrigatoriamente discutido", afirmou.

A missão do secretário de Estado americano promete ser delicada, diante do alto custo que os países da região pagaram durante os ataques israelenses e americanos contra o Irã. Essas nações foram alvo de retaliações iranianas com mísseis e drones em uma guerra que não desejavam.

O memorando não faz referência aos grupos aliados do Irã na região nem aos programas iranianos de mísseis e drones, embora o presidente dos Estados Unidos sustente que as capacidades militares de Teerã foram drasticamente reduzidas.

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Esta é a primeira visita de uma autoridade americana de alto escalão ao Oriente Médio desde a assinatura do memorando de entendimento entre Washington e Teerã, concluído na semana passada após negociações realizadas na Suíça.

Enquanto isso, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, iniciou uma visita oficial a Islamabad acompanhado de seu ministro das Relações Exteriores.

No campo nuclear, o Irã declarou nesta terça-feira que não pretende permitir que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) inspecione suas principais instalações nucleares, que haviam sido bombardeadas por Israel e pelos Estados Unidos.

A posição contradiz declarações do presidente americano, que afirmou que Teerã havia "aceitado total e completamente" inspeções de suas instalações atômicas "no mais alto nível". Donald Trump reiterou essa afirmação na terça-feira em sua plataforma Truth Social, dizendo que isso garantiria "honestidade nuclear".

Permanece, portanto, a incerteza sobre a situação dos estoques de urânio altamente enriquecido da República Islâmica. Teerã nega sistematicamente buscar o desenvolvimento de uma bomba atômica e sustenta seu direito de manter um programa nuclear civil em larga escala.

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Com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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