Retirada da Venezuela do TPI prejudica prestação de contas, diz missão da ONU

27 jul 2026 - 16h49
(atualizado às 18h13)

Um órgão de investigação ‌das Nações Unidas sobre a Venezuela declarou nesta segunda-feira estar "gravemente preocupado" com a retirada do país do Tribunal Penal Internacional (TPI) e instou a Venezuela a retornar ao órgão.

O governo da Venezuela anunciou ⁠na sexta-feira que havia tomado a decisão "irrevogável" de ‌se retirar, alegando haver um "preconceito geográfico" dentro do tribunal.

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A Missão Internacional Independente de Apuração ‌de Fatos da ONU sobre ‌a Venezuela foi criada pelo Conselho de ⁠Direitos Humanos da ONU em 2019. A missão exortou a Venezuela a voltar a integrar o TPI e a cooperar plenamente com os mecanismos de justiça internacional.

A Venezuela não tomou qualquer ‌medida significativa para investigar violações graves e crimes ‌internacionais cometidos ao ⁠longo de ⁠mais de uma década, acrescentou a missão.

Com a retirada do ⁠tribunal, o ‌governo venezuelano busca se ‌esquivar de processos internacionais destinados a garantir a prestação de contas, afirmou a missão, acrescentando que a saída "serve apenas para reforçar a ⁠impunidade por violações dos direitos humanos".

Em 2020, o TPI afirmou que havia fundamentos razoáveis para acreditar que autoridades civis, membros das Forças Armadas e indivíduos pró-governo ‌haviam cometido crimes contra a humanidade na Venezuela desde pelo menos 2017.

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Em janeiro de 2025, ⁠o TPI fechou seu escritório em Caracas, alegando falta de cooperação do governo venezuelano, então liderado pelo ex-presidente Nicolás Maduro.

A presidente interina Delcy Rodríguez tornou-se uma aliada próxima do governo dos Estados Unidos de Donald Trump, que já externou o desejo de desmantelar o TPI.

Os EUA saudaram, na sexta-feira,  a decisão da Venezuela de se retirar do TPI, que descreveram como "corrupto" e "inútil" em um comunicado divulgado após o anúncio de Caracas.

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