Novas avaliações da inteligência dos Estados Unidos passaram a considerar a possibilidade de a Rússia realizar uma ação limitada contra um país integrante da Otan para medir a capacidade de reação da aliança militar. Os cenários analisados incluem desde ataques cibernéticos contra estruturas estratégicas até uma incursão terrestre de pequena escala.
Segundo autoridades americanas ouvidas pelo Wall Street Journal, a hipótese mais grave ainda é considerada pouco provável no curto prazo. Mesmo assim, os relatórios indicam que o risco tende a crescer entre 2026 e 2029, principalmente caso o Kremlin avalie que uma provocação controlada possa expor divisões internas entre os países aliados.
A nova análise representa uma mudança em relação a avaliações anteriores de Washington. Até então, a inteligência americana considerava improvável que Vladimir Putin desafiasse diretamente um membro da Otan enquanto a guerra na Ucrânia continuasse em andamento.
Agora, porém, os relatórios trabalham com a possibilidade de Moscou adotar ações abaixo do nível de uma guerra aberta, justamente para testar até onde os países do bloco estariam dispostos a responder de forma conjunta.
Cenários avaliados
Entre as possibilidades estudadas estão operações cibernéticas contra infraestrutura crítica, ações de sabotagem, provocações híbridas e até a entrada de pequenos grupos armados em território aliado.
Uma ofensiva convencional de grande escala contra a Otan não aparece como o cenário mais provável. O temor está concentrado em ações menores e ambíguas, capazes de gerar dúvidas sobre a aplicação do Artigo 5, mecanismo que estabelece que um ataque contra um integrante da aliança pode ser considerado uma agressão contra todos.
A avaliação americana também ocorre em meio à pressão militar e econômica sofrida pela Rússia.
Ataques ucranianos contra instalações de petróleo reduziram significativamente o ritmo de processamento das refinarias russas. Em julho, estimativas apontaram queda para níveis não vistos em mais de duas décadas, ampliando preocupações internas com o abastecimento de combustíveis.
Pressão sobre Moscou
Na avaliação dos serviços de inteligência, dificuldades prolongadas na guerra e aumento da pressão doméstica podem tornar o governo russo mais disposto a assumir riscos externos.
O objetivo de uma eventual provocação limitada, segundo as análises, não seria necessariamente iniciar uma guerra convencional contra toda a Otan, mas testar a unidade política e militar do bloco.
Os próprios relatórios, entretanto, não afirmam que um ataque esteja decidido ou que vá acontecer. As conclusões trabalham com cenários de risco e indicam que uma incursão terrestre continua sendo uma possibilidade de baixa probabilidade, especialmente no período mais próximo.
A Otan reúne 32 países e mantém o princípio de defesa coletiva como uma das bases da organização. Qualquer ação russa contra território de um integrante teria potencial para elevar significativamente a tensão entre Moscou e as potências ocidentais.