Protestos estudantis se intensificam na França e ganham adesão de universidades

Manifestações estão marcadas por episódios de violência entre alunos e forças de segurança

1 out 2026 - 08h25
(atualizado às 08h55)
Resumo
Protestos estudantis se intensificaram na França com o bloqueio de escolas e universidades, exigindo mais verbas para a educação e melhorias estruturais. Os atos foram marcados por confrontos violentos com a polícia, incêndios em colégios e veículos, e ataques a funcionários escolares em cidades como Paris, Nantes e Marselha. O balanço inclui centenas de detidos e mais de 200 feridos, entre manifestantes e policiais, levando o governo a convocar uma reunião interministerial de crise.

Os protestos estudantis que se espalham pela França entraram em uma nova fase nesta quinta-feira (1º), com bloqueios de escolas e universidades, confrontos com as forças de segurança e episódios de violência registrados em diferentes cidades do país.

Convocada pela União Estudantil (USL) como o "Ato II" da mobilização, os atos ocorrem após uma primeira onda de protestos que, segundo dados divulgados pela imprensa, envolveu 356 escolas em todo o país.

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As principais organizações estudantis - "Fage", "Union étudiante" e "UNEF" - também apoiam a mobilização e convocaram novas manifestações e bloqueios, incluindo uma jornada de ações prevista para a próxima terça-feira (6).

Os estudantes reivindicam, entre outras medidas, a substituição de professores ausentes, o aumento dos recursos destinados à educação, reformas nas escolas e condições de aprendizagem "dignas".

O protesto, iniciado há cerca de uma semana nas escolas de ensino médio, também chegou às universidades. O campus de Saint-Denis da Universidade Paris VIII, nos arredores da capital, foi bloqueado nesta quinta. Confrontos também foram registrados em Pantin, na região metropolitana de Paris.

Em Nantes, a escola de ensino médio Nelson Mandela foi incendiada em meio aos atos, segundo relatos da imprensa francesa. O transporte público foi afetado, e agentes de segurança foram enviados ao local.

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Testemunhas citadas pelo jornal "Le Figaro" afirmaram que a polícia utilizou gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.

A mobilização tem sido marcada por confrontos entre manifestantes e forças de segurança. Dados citados pelas autoridades apontam que 625 pessoas foram detidas somente na quarta-feira (30).

Desde o início dos bloqueios, 119 pessoas, entre estudantes e funcionários, ficaram feridas, enquanto 83 policiais também sofreram lesões.

A inspeção policial foi encarregada de investigar três episódios envolvendo ferimentos de estudantes, ocorridos em Sevran, no departamento de Seine-Saint-Denis; Saint-Ouen-L'Aumône, em Val-d'Oise; e Tours.

Em Tours, um jovem sofreu um grave ferimento na cabeça na quarta-feira e foi hospitalizado. Segundo o Ministério Público, os ferimentos são "compatíveis" com o impacto de um disparo de LBD, lançador de munição menos letal utilizado pela polícia.

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O ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, afirmou que as forças de segurança atuaram "com grande proporcionalidade".

A situação também se agravou em Marselha. Em comunicado, a região de Provença-Alpes-Costa Azul (PACA) informou que ocorreram incidentes violentos diante do Liceu Victor Hugo.

De acordo com as autoridades regionais, o diretor, o vice-diretor, o secretário-geral e outro funcionário da escola foram atacados dentro do estabelecimento e tiveram gasolina jogada sobre eles.

Ainda em Marselha, o Le Figaro relatou que um caminhão de bombeiros foi cercado e incendiado por estudantes durante distúrbios diante do Liceu Saint-Exupéry.

Em meio à expansão dos protestos e dos episódios de violência, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, convocou uma reunião interministerial de crise para esta quinta-feira, às 13h (Horário local), no Ministério do Interior, em Paris. 

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