Em audiência no Vaticano, o papa Leão XIV defendeu que o progresso científico e tecnológico seja guiado pela caridade para proteger a dignidade humana e beneficiar os mais vulneráveis. Em meio aos debates sobre os impactos da inteligência artificial, a Igreja reforça a necessidade de limites éticos à inovação, tema já destacado pelo pontífice na encíclica "Magnifica Humanitas", na qual prega a urgência de conter os riscos da tecnologia para evitar que ela subjugue a humanidade.
O papa Leão XIV afirmou nesta quarta-feira (23) que o progresso científico e tecnológico deve estar a serviço da dignidade humana e beneficiar especialmente os mais desfavorecidos.
A declaração foi feita durante a audiência geral no Vaticano, no âmbito de uma série de catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II, que modernizou a doutrina católica nos anos 1960. "Para se tornar autêntico desenvolvimento humano ? isto é, de todo o homem e de todos os homens ?, o progresso técnico e científico deve ser animado e orientado pela caridade", disse o pontífice americano aos fiéis reunidos na Praça São Pedro.
"Só assim poderá ser colocado sempre em defesa da dignidade do homem e promover as condições de vida de todos, especialmente dos mais desfavorecidos", acrescentou.
A fala ocorre em um momento de intenso debate global sobre os impactos da inteligência artificial e de novas tecnologias na sociedade. O Vaticano e o Papa têm se posicionado com frequência sobre o tema, defendendo que a inovação seja acompanhada de salvaguardas éticas.
A questão foi abordada na primeira encíclica de Leão XIV, a "Magnifica Humanitas" ("Humanidade Magnífica"), em que ele ressalta a importância de "desarmar a IA" para impedir que ela "domine o ser humano".