Professores franceses dizem que medidas educacionais do governo para conter protestos são insuficientes

27 out 2026 - 09h22
Resumo
Professores e estudantes franceses consideraram insuficientes as medidas de 5 bilhões de euros propostas pelo governo — que incluem limite de alunos por sala e reformas — para conter semanas de protestos contra a precariedade dos serviços públicos e o custo de vida. Com apoio de sindicatos e dos Coletes Amarelos, novas manifestações estão previstas sob forte esquema de segurança. Em meio à crise fiscal e aos recentes episódios de violência, a líder de extrema-direita Marine Le Pen ganha força eleitoral.

Professores franceses afirmaram ‌nesta terça-feira que as reformas educacionais destinadas a pôr fim a semanas de protestos são insuficientes e não seriam o bastante para acalmar a indignação dos estudantes.

O governo francês anunciou na segunda-feira uma série de propostas, incluindo a limitação do tamanho de algumas ⁠turmas a 28 alunos, bilhões de euros em empréstimos para reforma ‌de prédios e uma reformulação do sistema de admissão nas universidades, na tentativa de amenizar a indignação popular.

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Mas Sophie Venetitay, ‌secretária-geral do sindicato dos professores SNES-FSU, disse ‌aos repórteres que as medidas não foram longe o ⁠suficiente, afirmando que o limite de alunos deveria ser aplicado a mais turmas e que mais pessoas deveriam ser contratadas para melhorar as condições de aprendizagem dos estudantes.

"Hoje, o que o ministério disse é apenas o começo de uma resposta", afirmou ela. "Não será suficiente ‌para apagar a indignação."

Inicialmente, alunos do ensino médio bloquearam suas escolas ‌para protestar contra a ⁠falta de ⁠pessoal e de recursos, em um movimento que, desde então, se ampliou para ⁠incluir sindicatos gerais e os ‌chamados "Coletes Amarelos", a fim ‌de expressar a indignação com o enfraquecimento dos serviços públicos e o aumento do custo de vida.

O governo francês, sob pressão dos mercados de títulos para reduzir seu nível de ⁠endividamento, dispõe de poucos recursos financeiros para atender às demandas dos manifestantes.

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O ministro do Orçamento, David Amiel, disse à TF1 que as medidas anunciadas na segunda-feira teriam um custo estimado de 5 bilhões de euros (5,6 bilhões de ‌dólares) e seriam compensadas com cortes de gastos em outras áreas.

Líderes estudantis também afirmaram que as concessões do governo foram um ⁠bom primeiro passo, mas prometeram continuar com as manifestações, no sábado e no dia 5 de novembro.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, declarou à RTL que haveria forte presença de segurança no sábado, duas semanas depois que grandes protestos em todo o país deram lugar à violência e a saques que chocaram o país e levaram à imposição de toques de recolher e proibições de grandes aglomerações na França.

A turbulência impulsionou a popularidade da líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, que é a favorita para liderar o primeiro turno das eleições presidenciais na próxima primavera.

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