Premiê da Espanha aposta em eleições antecipadas após protestos por moradia lhe darem impulso

5 out 2026 - 12h04
Resumo
O premiê espanhol Pedro Sánchez convocou eleições antecipadas para 29 de novembro visando ampliar sua base parlamentar após o Congresso barrar medidas contra a crise imobiliária. A aposta de alto risco busca capitalizar os recentes protestos populares por moradia para frear a oposição de direita e extrema direita, favoritas nas pesquisas. Uma derrota do Partido Socialista encerraria um dos últimos governos de esquerda da Europa diante do avanço conservador no continente.

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, convocou ‌nesta segunda-feira eleições antecipadas para 29 de novembro, com o objetivo de ampliar seu apoio parlamentar depois que os deputados rejeitaram, na semana passada, propostas para lidar com a crise imobiliária que tem gerado protestos em todo o país.

A votação antecipada é uma aposta de alto risco para Sánchez, cujo Partido Socialista está atrás em quase todas as pesquisas de opinião. Uma derrota eleitoral significaria o fim de um dos últimos governos de esquerda remanescentes na Europa, ⁠em um momento em que a extrema direita vem obtendo ganhos sem precedentes em toda a região.

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Isso reflete um ‌mal-estar mais amplo em toda a Europa, sob pressão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em relação aos gastos com defesa, às importações baratas da China, aos custos mais altos dos empréstimos, à juventude descontente e ao ‌maior aumento no apoio à extrema direita desde a década de 1930.

No ‌entanto, Sánchez provou repetidas vezes sua capacidade de surpreender aqueles que há muito o haviam descartado. Uma ⁠eleição neste momento poderia permitir que ele capitalizasse sobre uma onda de indignação contra os preços inacessíveis da moradia na Espanha.

"Precisamos nos mobilizar e conquistar uma maioria progressista muito maior no Parlamento, que nos permita superar os interesses estabelecidos, alcançar novos avanços sociais e continuar transformando a Espanha", disse Sánchez em um discurso televisionado.

O primeiro-ministro reconheceu que não cumpriu todas as promessas de campanha, mas prometeu lutar para que a Espanha continue sendo "um bastião de abertura, justiça social ‌e responsabilidade ambiental".

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O índice referência do mercado de ações na Espanha  ficou estável após o anúncio, enquanto os títulos do governo ‌espanhol se mantiveram, em geral, estáveis.

Alberto Núñez ⁠Feijóo, líder do Partido Popular (PP), ⁠da oposição, prometeu nesta segunda-feira quase dobrar a construção de moradias na Espanha para 200 mil unidades por ano e reduzir os ⁠impostos caso assuma o poder.

"A habitação tem sido o grande fracasso ‌deste governo e deve ser o ‌sucesso do próximo. Quando um primeiro-ministro está no cargo há oito anos, é muito difícil culpar os outros pelo que ele não conseguiu fazer", disse Feijóo em uma conferência de pequenas empresas.

Sánchez ganhou destaque no cenário global ao assumir uma postura firme em questões progressistas, desde a criação do Estado palestino até a defesa ⁠de instituições multilaterais e a repressão aos "oligarcas da tecnologia", mesmo com uma série de escândalos enfraquecendo sua posição no país.

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Os recentes protestos contra a falta de moradia deram a ele um impulso muito necessário, com propostas que foram rejeitadas por parlamentares de direita na sexta-feira sendo bem recebidas pelos manifestantes.

As pesquisas sugerem que a ascensão de uma coalizão liderada pelo PP, com o apoio do partido anti-imigração ‌Vox, é o desfecho mais provável, o que levaria um partido de extrema direita ao governo central pela primeira vez desde o retorno da Espanha à democracia, após a morte do ditador Francisco Franco, em 1975.

Apesar de ⁠nunca ter obtido votos suficientes para formar um governo majoritário, Sánchez conseguiu montar uma série de coalizões frágeis, incluindo forças que vão da extrema esquerda à direita separatista, para permanecer no poder por oito anos.

A crescente fragmentação entre seus parceiros fez com que o governo não conseguisse aprovar um orçamento e promulgasse apenas algumas leis desde 2023, mesmo com a economia da Espanha continuando a apresentar um desempenho superior ao do restante do mundo desenvolvido.

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Sánchez planeja aprovar à força os dois decretos sobre habitação que foram rejeitados pelo Parlamento na semana passada por meio de um mecanismo legislativo raramente utilizado, segundo a emissora estatal TVE e o jornal El País.

Quando a Câmara, composta por 350 membros, é dissolvida antes de uma eleição, um órgão permanente formado por 68 membros, além do presidente da Câmara, permanece em funcionamento para aprovar legislação de emergência, que conta com uma estreita maioria de 35 a 34 a favor das medidas.

O líder do Vox, Santiago Abascal, alertou que o resultado das eleições seria imprevisível, apesar das pesquisas favoráveis à direita.

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