Por que o prefeito de Nova York não pode prender Netanyahu

22 jul 2026 - 18h09
(atualizado às 18h33)

O prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, anunciou nesta semana a conclusão de que não tem autoridade legal para mandar prender o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, por supostos crimes de guerra, caso ele visitasse a maior cidade dos Estados Unidos, após declarações prévias considerando a ideia.

Mamdani não deu detalhes sobre como chegou à ⁠conclusão. Especialistas jurídicos independentes disseram à Reuters que Mamdani não tem autoridade para mandar prender Netanyahu. ‌Segundo eles, os EUA geralmente reconhecem a imunidade de chefes de Estado e representantes das Nações Unidas. Além disso, destacaram, Washington não é membro do Tribunal Penal Internacional (TPI).

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Entenda as ‌questões jurídicas envolvendo o caso:

MOTIVOS DE MAMDANI PARA A PRISÃO 

Com ‌sede em Haia, o TPI emitiu um mandado de prisão contra Netanyahu em ⁠2024 por supostos crimes de guerra durante o conflito em Gaza. Israel rejeita a jurisdição do tribunal e nega ter cometido crimes de guerra.

Em uma entrevista ao New York Times transmitida no sábado, Mamdani referiu-se a Netanyahu como "criminoso de guerra" e disse que o departamento jurídico da cidade estava avaliando ativamente se a lei permitiria sua prisão caso ele visitasse Nova York ‌para a Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro.

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Mamdani, um democrata, havia feito comentários semelhantes durante ‌a campanha para prefeito antes ⁠da eleição de 4 ⁠de novembro de 2025.

Em um vídeo publicado nas redes sociais na noite de terça-feira, Mamdani disse ter concluído ⁠que não possuía tal autoridade.

"Está claro que não ‌temos autoridade jurídica independente para ‌executar esse mandado", disse Mamdani.

Nem o gabinete de Mamdani nem a embaixada de Israel em Washington responderam imediatamente a pedidos de comentário.

O QUE DIZ A LEI

Especialistas em direito internacional apontam diversas razões pelas quais Mamdani não pode ordenar a prisão de Netanyahu.

Como os ⁠EUA não são membros do TPI, não há nenhum mecanismo na legislação norte-americana para executar os mandados de prisão do tribunal com sede em Haia, afirmou Alex Whiting, professor da Faculdade de Direito de Harvard, ex-promotor do TPI e ex-funcionário do Departamento de Justiça.

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Além disso, uma lei norte-americana de 2002, chamada Lei de Proteção ‌aos Militares Norte-Americanos (American Service-Members Protection Act), proíbe especificamente que os EUA extraditem qualquer pessoa, independentemente de sua nacionalidade, para o TPI, disse Whiting.

Chefes de governo em exercício, como Netanyahu, também ⁠gozam, em geral, de imunidade contra prisão e processo judicial nos tribunais dos EUA, e representantes de Estados-membros da ONU têm imunidade jurídica durante o trajeto de ida e volta a uma reunião da ONU, afirmou Rebecca Ingber, professora da Faculdade de Direito de Cardozo e ex-advogada do Departamento de Estado dos EUA.

GOVERNO FEDERAL PODERIA PRENDER NETANYAHU?

Em seu vídeo, Mamdani pediu ao governo federal que cumpra o mandado.

Para que o governo federal prenda Netanyahu, os EUA precisariam, primeiro, aderir ao TPI e revogar a Lei de Proteção aos Militares Norte-Americanos, disse Whiting. Ainda assim, o acordo entre a ONU e os EUA que confere imunidade aos representantes da ONU ainda seria um obstáculo, lembrou.

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O presidente dos EUA, Donald Trump, do Partido Republicano, afirmou em uma publicação nas redes sociais na segunda-feira que Netanyahu não deve ser preso enquanto estivesse nos EUA.

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