Os preços do petróleo subiram com o Brent superando US$ 106 e o WTI a US$ 102, impulsionados pelo fechamento do oleoduto Leste-Oeste após ataques houthis à infraestrutura da Arábia Saudita. A paralisação da rota alternativa ao Estreito de Ormuz ameaça até 4% da oferta global e pode esgotar o petróleo saudita para exportação em poucos dias. Analistas preveem reparos de até oito semanas e alertam que o Brent pode ultrapassar US$ 120 caso a crise geopolítica e a redução do fluxo persistam.
Os preços do petróleo subiam mais de 1% nesta terça-feira, depois que ataques à infraestrutura energética da Arábia Saudita deixaram o oleoduto Leste-Oeste do reino fora de operação, aumentando os temores de que os danos à infraestrutura energética e às rotas de transporte possam demorar mais tempo para serem reparados.
Os contratos futuros do petróleo Brent subiam US$0,34, ou 0,32%, para US$106,02 por barril às 8h30 (horário de Brasília), enquanto os contratos futuros do West Texas Intermediate (WTI) dos EUA registravam alta de US$1,02, ou 1,01%, para US$102,41 por barril.
Preocupações com o suprimento de petróleo se intensificaram depois que as forças houthis no Iêmen, apoiadas pelo Irã, lançaram novos ataques contra a Arábia Saudita na segunda-feira, enquanto os países árabes do Golfo adiaram as discussões planejadas com o Irã.
"Novos ataques dos houthis contra a Arábia Saudita podem estar influenciando as expectativas dos investidores do mercado de petróleo quanto à gravidade e à duração do conflito", disse Hamad Hussain, economista sênior especializado em clima e commodities da Capital Economics.
Os houthis afirmaram na segunda-feira ter disparado dezenas de mísseis e drones contra uma base aérea militar em Khamis Mushait, no sul da Arábia Saudita, visando hangares de aeronaves, sistemas de radar, pistas de pouso e depósitos de munição, em retaliação aos ataques aéreos sauditas no Iêmen.
Isso ocorreu após os ataques de sexta-feira à Arábia Saudita, que Riade atribuiu a combatentes apoiados pelo Irã no Iraque. Os ataques interromperam o funcionamento do oleoduto Leste-Oeste do país, que permite exportar petróleo contornando o bloqueado Estreito de Ormuz, por onde anteriormente passava cerca de um quinto do suprimento mundial de petróleo.
A Arábia Saudita poderia esgotar o petróleo bruto disponível para exportação em poucos dias, a menos que o oleoduto Leste-Oeste retome as operações, segundo compradores e operadores. O ataque ao oleoduto ameaçou até 4% do abastecimento global de petróleo.
"O ataque recente pode ser mais grave e ameaçar os 2 mb/d restantes das exportações recentes de Yanbu, com as últimas estimativas de reparo variando de 'muito em breve' a oito semanas", afirmou o Goldman Sachs em uma nota.
Os ataques à infraestrutura petrolífera marcaram uma escalada significativa do conflito e aumentaram a probabilidade de o Brent subir acima de US$120 por barril, afirmou o Goldman Sachs, citando um cenário em que a produção média de petróleo do Golfo em 2027 permaneça 4 milhões de barris por dia abaixo dos níveis pré-guerra.
O tráfego de navios de commodities pelo Estreito de Ormuz caiu para quatro na segunda-feira, ante 10 no dia anterior, segundo dados preliminares da Kpler divulgados na terça-feira, gerando preocupações sobre uma rota que transportava cerca de um quinto dos suprimentos globais de petróleo antes do início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro.