Paquistão transmitiu proposta dos EUA; Turquia ou Paquistão podem sediar negociações, diz autoridade iraniana

25 mar 2026 - 08h39

O Paquistão entregou uma proposta dos ‌Estados Unidos ao Irã, e tanto o Paquistão quanto a Turquia podem ser locais de discussões para reduzir a guerra no Golfo, disse uma autoridade de alto escalão iraniana à Reuters nesta quarta-feira.

Os comentários, feitos por uma autoridade que falou sob condição de anonimato, foram um dos poucos sinais de que Teerã está disposta a considerar propostas diplomáticas, apesar de ter negado em público que negociaria com o governo do ⁠presidente Donald Trump.

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A fonte iraniana não revelou detalhes da proposta transmitida pelo Paquistão, ou se é a mesma ‌que a proposta de 15 pontos dos EUA que foi relatada por veículos de notícias, incluindo a Reuters. A fonte disse que a Turquia também "ajudou a acabar com a guerra e que Turquia e Paquistão ‌estavam sendo considerados como local para essas conversas".

Os preços do petróleo ‌caíram e as ações se recuperaram na quarta-feira após relatos de que os EUA haviam enviado ⁠o plano de 15 pontos ao Irã, com os investidores esperando o fim de quase quatro semanas de guerra que matou milhares de pessoas e interrompeu o fornecimento global de energia.

Uma fonte familiarizada com o assunto havia confirmado na terça-feira à Reuters que o plano havia sido enviado ao Irã.

Três fontes do gabinete israelense disseram que o gabinete de segurança do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu foi informado sobre a proposta, que, segundo ‌elas, inclui a remoção dos estoques de urânio altamente enriquecido do Irã, a interrupção do enriquecimento, a restrição ‌do programa de mísseis balísticos e ⁠o fim do financiamento para ⁠aliados regionais.

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Enquanto isso, o Pentágono está planejando enviar milhares de tropas aerotransportadas para o Golfo para dar a Trump mais ⁠opções para ordenar um ataque terrestre, disseram fontes à ‌Reuters, somando-se a dois contingentes de ‌fuzileiros navais que já estão a caminho. A primeira Unidade Expedicionária dos Fuzileiros Navais a bordo de um enorme navio nfíbio pode chegar por volta do final do mês.

PAPEL DA TURQUIA

O Paquistão, vizinho do Irã, já se ofereceu para sediar conversações que contarão com a presença de autoridades graduadas dos ⁠EUA já nesta semana. Harun Armagan, autoridade sênior do partido governista na Turquia, disse à Reuters na quarta-feira que Ancara está "desempenhando um papel na transmissão de mensagens" entre o Irã e os EUA.

Mas até agora não houve nenhum reconhecimento público por parte do Irã de que esteja disposto a negociar, enquanto suas afirmações de que não o faria têm se tornado ‌cada vez mais ácidas.

"Será que o nível de sua luta interna chegou ao ponto de você negociar consigo mesmo?", provocou Ebrahim Zolfaqari, principal porta-voz do comando militar conjunto do Irã, a Trump em comentários na TV estatal ⁠iraniana.

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"Pessoas como nós nunca poderão se dar bem com pessoas como você", disse ele. "Como sempre dissemos (...) ninguém como nós fará um acordo com você. Não agora. Nunca mais."

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Beghaei, em entrevista à televisão na Índia, observou que as negociações nucleares já estavam em andamento quando Trump atacou, o que ele chamou de "uma traição à diplomacia" que tornou inúteis outras negociações.

Não há "conversas ou negociações entre o Irã e os Estados Unidos", afirmou ele. "Ninguém pode confiar na diplomacia dos Estados Unidos. Nossa posição é clara em relação ao que eles alegaram. Neste momento, nossos bravos militares estão concentrados em defender o território e a soberania do Irã contra essa guerra brutal e ilegal."

Um oficial sênior da defesa israelense disse que Israel estava cético quanto à possibilidade de o Irã concordar com os termos, e que Israel estava preocupado com o fato de os termos serem apenas pontos de partida para as negociações, durante as quais os negociadores dos EUA poderiam fazer concessões.

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