Ministra mantém agenda de trabalho após Meloni cobrar renúncia

Daniela Santanchè pode ser próxima vítima de derrota em referendo

25 mar 2026 - 09h31
(atualizado às 09h42)

O terremoto político provocado pelo referendo constitucional de 22 e 23 de março segue chacoalhando as estruturas do governo da premiê Giorgia Meloni, que pediu publicamente para a ministra do Turismo, Daniela Santanchè, renunciar ao cargo e ainda não foi atendida.

Santanchè e Meloni durante evento em dezembro de 2017
Santanchè e Meloni durante evento em dezembro de 2017
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

A consulta popular rejeitou uma reforma judicial promovida pela primeira-ministra, que ficou furiosa com o resultado e, para recuperar um tema historicamente caro à direita, decidiu mandar embora todos os membros do Executivo com situações judiciais que possam provocar embaraços.

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As duas primeiras baixas foram o subsecretário do Ministério da Justiça, Andrea Delmastro, e a chefe de gabinete da pasta, Giusi Bartolozzi.

Delmastro, um dos colaboradores mais próximos de Meloni, já foi condenado em primeira instância por divulgar informações sigilosas sobre um anarquista preso em regime de isolamento e vinha sendo alvo de críticas por ter feito negócios com a filha de 18 anos de um homem sentenciado por crimes relacionados à máfia.

Já Bartolozzi, braço direito do ministro da Justiça, Carlo Nordio, autor da reforma rejeitada nas urnas, provocou embaraço para o governo dias antes do referendo, ao definir a magistratura como um "pelotão de execução", e é investigada por supostamente ter mentido a respeito da libertação e deportação de um comandante líbio procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes contra a humanidade.

Em comunicado divulgado na noite de terça-feira (24), Meloni agradeceu pelo gesto de Delmastro e Bartolozzi, mas cobrou Santanchè nominalmente. "Desejo que, na mesma linha de sensibilidade institucional, escolha análoga seja compartilhada pela ministra do Turismo", escreveu a premiê.

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Santanchè é alvo há anos da oposição devido a um processo por falsa contabilidade em sua antiga editora, a Visibilia, e a uma investigação por falência fraudulenta envolvendo a mesma companhia. Apesar da cobrança pública de Meloni, a ministra chegou em seu gabinete, em Roma, por volta de 10h da manhã (horário local) desta quarta (25) e segue trabalhando normalmente.

Ela pertence ao partido Irmãos da Itália (FdI), o mesmo da primeira-ministra, e sempre teve respaldo do governo para seguir no cargo, apesar dos problemas com a Justiça. Mas, com a derrota da reforma judicial no referendo, a situação mudou.

"Como todos os ministros, Santanchè vai seguir as indicações da primeira-ministra", assegurou o líder do FdI no Senado, Lucio Malan. Enquanto isso, a oposição pressiona para votar uma moção de desconfiança contra Santanchè, medida que poderia colocar Meloni em uma saia justa: votar pela demissão e abrir uma crise de governo ou votar pela manutenção da ministra e sair enfraquecida.

"É incrível que nem mesmo a premiê consiga demitir sua ministra. Giorgia, vamos te dar uma mão com a moção de desconfiança contra Santanchè", ironizou a deputada Maria Chiara Gadda, do partido de centro Itália Viva (IV).

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