Papa criticará guerra e abuso de poder em sua 1ª Via Crucis no Coliseu

Meditações também vão abordar o sofrimento das mulheres e de 'vítimas esquecidas'

3 abr 2026 - 10h38

O papa Leão XIV celebrará na noite desta sexta-feira (3) sua primeira Via Crucis no Coliseu de Roma, onde fará um forte apelo à responsabilidade moral dos líderes mundiais, destacando que aqueles que decidem sobre guerras "prestarão contas a Deus".

    As "meditações" da celebração, preparadas pelo padre Francesco Patton, ex-custódio da Terra Santa, também criticam o abuso de poder, enfatizando que nenhuma autoridade é absoluta.

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    "Há aqueles que acreditam ter recebido autoridade ilimitada e pensam que podem usá-la e abusar dela à vontade", afirma o texto da primeira de 14 estações.

    A reflexão ressalta que todo poder ? seja político, militar ou econômico ? deve ser exercido com responsabilidade, incluindo decisões sobre conflitos, justiça, educação e relações entre povos.

    "Toda autoridade terá que prestar contas a Deus pela forma como exerce o poder que recebeu: o poder de julgar, mas também o poder de iniciar ou terminar uma guerra, o poder de educar na violência ou na paz, o poder de alimentar o desejo de vingança ou de reconciliação, o poder de usar a economia para oprimir povos ou para libertá-los", enfatizou.

    A Via Crucis deste ano também terá como foco a dor causada pelas guerras e pelas injustiças contemporâneas. Em uma das orações, há um pedido simbólico: "Dai-nos lágrimas, Senhor, para chorar pelos desastres da guerra, pelos massacres e genocídios, para chorar com mães e esposas, pelo cinismo dos tiranos e pela nossa indiferença".

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    Outro ponto central das meditações é a dignidade humana. Os textos denunciam práticas de regimes autoritários e situações em que pessoas são desumanizadas ? como tortura, abusos, exploração e exposição indevida, que tratam as vítimas como objetos.

    Segundo a mensagem, a indústria do entretenimento também pratica isso quando exibe nudez para atrair mais espectadores, quando expões pessoas em público. "Cada vez que deixamos de reconhecer a dignidade dos outros, a nossa própria dignidade fica obscurecida", afirma uma das passagens.

    A celebração também dá destaque ao sofrimento das mães que perderam filhos em guerras, migrações e perseguições. Uma oração inspirada na figura de Maria recorda "as muitas mães que ainda hoje veem seus filhos presos, torturados ou mortos", convidando à empatia e à solidariedade.

    "Dai-nos um coração materno, para compreender e partilhar o sofrimento dos outros, e para aprender, também desta forma, o que significa amar", destaca.

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    Além disso, a oitava estação lembra que "durante séculos [elas] choraram por si próprias e pelos seus filhos: presos durante uma manifestação, deportados por políticas desprovidas de compaixão, naufragados em viagens desesperadas de esperança, dizimados em zonas de guerra, aniquilados em campos de extermínio." Já a 11ª estação destaca o verdadeiro significado do poder, contrapondo a lógica da força e da violência com a do amor e do perdão. Segundo o texto, o poder autêntico não está em dominar ou destruir, mas em "dar a vida" e transformar o mal por meio do amor.

    As meditações também lembram vítimas frequentemente esquecidas: mulheres exploradas pelo tráfico humano, pessoas discriminadas pelo preconceito, pobres privados de dignidade e crianças que tiveram a infância roubada. .

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