Um padre brasileiro foi excomungado da Igreja Católica após aderir formalmente ao movimento tradicionalista ligado ao arcebispo francês Marcel Lefebvre, que rejeita parte das reformas promovidas pelo Concílio Vaticano II e mantém uma relação de conflito com a Santa Sé há décadas.
A Diocese de Jundiaí, no estado de São Paulo, anunciou a sanção contra o sacerdote Rodrigo de Oliveira da Silva, depois que ele ingressou na Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX), grupo ultraconservador que desafiou o papa Leão XIV e rompeu com a Igreja Católica.
A decisão do bispo Arnaldo Carvalheiro Neto, divulgada em comunicado oficial, determina que Oliveira da Silva não está autorizado a exercer o ministério sacerdotal.
"No que tange aos Sacramentos da Penitência e do Matrimônio, tanto a absolvição sacramental por ele concedida quanto os casamentos por ele assistidos carecem de validade e são nulos", declarou.
O bispo brasileiro também advertiu que a medida pode atingir fiéis que formalmente rompam com a comunhão com Roma para aderir à FSSPX e recomendou aos católicos da diocese que evitem atividades promovidas pela organização.
O caso ocorre pouco depois de uma sanção semelhante na Arquidiocese de Brasília, onde o padre François Rodrigues Figueiredo Costa, ligado ao movimento conservador e responsável por uma capela nos arredores da capital federal, também foi excomungado.
Na ocasião, a Arquidiocese de Brasília declarou inválidos os casamentos e as confissões realizados pelo sacerdote.
Fundada em 1970 por Lefebvre, a fraternidade reúne cerca de 600 mil fiéis em diversos países e mantém uma longa disputa com a Santa Sé em torno da autoridade do papa e de mudanças promovidas pela Igreja Católica nas últimas décadas.
Os membros da fraternidade defendem a missa tridentina ? celebrada em latim e com o sacerdote de costas para os fiéis ? e criticam os ideais de liberdade religiosa e ecumenismo implementados na doutrina católica pelo Concílio Vaticano II, na década de 1960.