O ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, criticou nesta terça-feira (11) a postura do governo italiano diante da situação migratória em Ceuta, enclave espanhol no norte da África.
Segundo Albares, a posição da Itália não demonstrou a mesma "solidariedade e apoio" manifestada pela "vasta maioria dos países da União Europeia".
Para o chanceler espanhol, a atitude do governo da primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, pode estar relacionada a "interesses partidários" e a "necessidades eleitorais internas", de acordo o jornal "El País".
Albares também observou que a Itália registra um número maior de entradas irregulares de migrantes do que a Espanha. De acordo com ele, os movimentos secundários de migrantes irregulares que deixam o território espanhol em direção ao italiano são "mínimos", representando menos de 1%.
Durante coletiva de imprensa realizada em Ceuta, o ministro também fez um apelo aos migrantes que estão no Marrocos e aguardam uma oportunidade para entrar em território espanhol.
"Não arrisquem suas vidas, seu dinheiro e seu futuro em uma empreitada sem esperança. Quem entrar em Ceuta ou Melila de forma irregular será repatriado", afirmou Albares.
Por fim, o chanceler acrescentou que todas as pessoas que entraram irregularmente na Espanha serão repatriadas para o Marrocos.
A tensão entre Itália e Espanha se intensificou depois que o governo Meloni se recusou a suspender os controles de fronteira reintroduzidos em portos e aeroportos após a crise em Ceuta, pelo menos até 15 de agosto, alegando supostos riscos de "terrorismo".
Madri afirma que mais de 70 mil migrantes já foram repatriados para o Marrocos e que nenhum dos que participaram da entrada em massa no enclave conseguiu acessar o Espaço Schengen, área de livre circulação na Europa. Além disso, em represália, o governo espanhol também impôs controles de fronteira para viajantes provenientes da Itália até 7 de setembro.