A Nigéria confirmou o primeiro caso de Ebola em mais de uma década: a esposa ugandense de um diplomata suíço, internada em Abuja. Segundo o governo suíço, ela provavelmente contraiu o vírus durante viagem recente a Uganda. Autoridades locais e a OMS investigam a origem da infecção, desmentindo até o momento que a paciente tenha viajado para a República Democrática do Congo, foco do atual surto africano. O marido da paciente está em isolamento e não apresenta sintomas da doença.
A paciente com Ebola na Nigéria, esposa de um diplomata suíço lotado em Abuja e nascida em Uganda, provavelmente contraiu a doença durante uma viagem a Uganda, afirmou comunicado do governo suíço à Reuters divulgado nesta quinta-feira.
A Nigéria notificou o caso -- o primeiro de Ebola no país em mais de uma década -- na terça-feira, tornando-se o quarto país africano e o mais populoso a ser afetado por um surto anunciado na República Democrática do Congo em meados de maio e que, desde então, se tornou o de propagação mais rápida já registrado.
Autoridades ugandenses afirmaram que a mulher, que adoeceu na Nigéria, havia viajado para o leste do Congo antes de passar por Uganda. Mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a principal agência de saúde da África disseram nesta quinta-feira que não haviam recebido informações confirmadas de que a mulher tivesse viajado para o Congo.
Comunicado enviado por email pelo Departamento Federal Suíço de Relações Exteriores informou que a mulher "está internada em uma clínica particular em Abuja há cerca de uma semana com sintomas".
"Acredita-se que ela tenha contraído o vírus durante uma viagem a Uganda há cerca de duas semanas", acrescentou.
"Seu marido está em isolamento; ele não apresentou nenhum sintoma. Ele estava viajando com a esposa quando se acredita que ela tenha contraído o Ebola."
Uganda registrou 20 casos em maio e junho, a maioria importada do Congo, mas a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o país livre do Ebola em agosto.
Um porta-voz do governo de Uganda não respondeu imediatamente a um pedido de comentário nesta quinta-feira.
Wessam Mankoula, funcionário do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (Africa CDC), afirmou nesta quinta-feira que Nigéria e Uganda estavam compartilhando informações para apurar os deslocamentos da paciente e a possível fonte de exposição.
"Até o momento, não há informações comprovadas de que essa paciente tenha viajado para a RDC (República Democrática do Congo)", disse Mankoula em uma coletiva de imprensa online.
A OMS afirmou que as informações que recebeu sobre o caso não incluíam viagens para fora de Uganda.