ONU envia ajuda humanitária a 500 mil refugiados do Iraque

Um carregamento aéreo com barracas e outros suprimentos vai ser enviado por 4 dias, começando nesta quarta-feira

19 ago 2014 - 10h26
(atualizado às 10h36)
Mulher e criança da minoria yazidi, do Iraque, se refugiam em campo na Síria
Mulher e criança da minoria yazidi, do Iraque, se refugiam em campo na Síria
Foto: Rodi Said / Reuters

A agência humanitária da ONU disse nesta terça-feira que vai lançar uma grande operação de ajuda humanitária para enviar suprimentos a mais de meio milhão de pessoas deslocadas pelo conflito no norte do Iraque.

Centenas de milhares fugiram de suas casas desde que os confrontos provocados por militantes do grupo Estado Islâmico varreram grande parte do norte e oeste do Iraque em junho, representando uma ameaça de fragmentação do país.

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Um carregamento aéreo com barracas e outros suprimentos vai ser enviado por quatro dias, começando na quarta-feira, a Erbil, no Curdistão iraquiano, a partir de Aqaba, na Jordânia.

Em seguida, serão enviados comboios terrestres a partir da Turquia e Jordânia, assim como o envio de suprimentos por mar, a partir de Dubai, através do Irã pelos próximos 10 dias, disse o porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), Adrian Edwards.

"Esse é um esforço de ajuda muito, muito significativo e certamente um dos maiores de que consigo me lembrar em bastante tempo", disse ele em uma coletiva de imprensa em Genebra.

"Essa é uma grande crise humanitária e um desastre", afirmou.

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O Acnur estima que um total de 1,2 milhão de pessoas deixaram suas casas por todo o Iraque neste ano.

Cerca de 200 mil pessoas se instalaram na região do Curdistão iraquiano em agosto, quando a cidade de Sinjar e áreas vizinhas foram invadidas pelo Estado Islâmico, de acordo com o Acnur.

Ao menos 11 mil pessoas da minoria yazidi se refugiaram na vizinha Síria, país assolado pela guerra civil, e cerca de 300 estão cruzando a fronteira todos os dias em Peshkabour, segundo o Acnur.

"O fato de você ver pessoas fugindo através da Síria em busca de segurança demonstra muito bem o quão desesperadora é a situação, particularmente em Sinjar nos últimos dias", disse Edwards.

Papa defende intervenção da ONU no Iraque

O papa Francisco defendeu nesta segunda-feira uma intervenção da ONU para acabar com o que chamou de "agressão injusta" contra civis no Iraque. Ele se disponibilizou a visitar o país se necessário.

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"Onde há um agressor ilegítimo, é legítimo detê-lo. Eu sublinho o verbo 'deter', e não bombardear ou travar uma guerra", disse o pontífice, fazendo referência às forças extremistas do chamado "Estado Islâmico" (EI).

Em declarações a bordo do avião oficial, no regresso da Coreia do Sul à Itália, o papa admitiu que prefere uma intervenção conjunta da ONU a uma ação unilateral como a que já está sendo realizada pelos Estados Unidos. A ONU, segundo ele, precisa discutir maneiras para deter o "agressor".

"Uma única nação não pode julgar como terminar" com uma agressão, frisou o papa, referindo-se aos Estados Unidos. Para isso foi criada a ONU depois da Segunda Guerra Mundial, para chegar a soluções conjuntas, disse. "É preciso lembrar quantas vezes, com a desculpa de deter um agressor, potências deram início a uma verdadeira guerra de conquista."

Na última semana, os EUA realizaram bombardeamentos seletivos no norte do Iraque, para combater as forças dos extremistas EI. O grupo controla Mossul há dois meses, a segunda cidade do Iraque, e combate em vários outros pontos do Norte do país, para ampliar o "califado" que proclamou. A ofensiva da aliança extremista, que agrega elementos de vários grupos insurgentes sunitas, já provocou o êxodo de dezenas de milhares de civis.

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O papa afirmou que, "se for necessário", viajaria ao Iraque no sentido de apoiar os refugiados cristãos do Curdistão. "Porém, neste momento, não é a melhor coisa a fazer", disse.

Com informações da Reuters e Deutsche Welle.

Fonte: Terra
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