ONG britânica aponta mais de 45 mil civis mortos em 2025 em conflitos ao redor do mundo

A ONG Action on Armed Violence (AOAV) divulgou, nesta segunda-feira (16), um balanço global das vítimas civis mortas em bombardeios ao redor do mundo em 2025. Segundo a organização, ao menos 45.358 civis foram mortos ou feridos no período. Os números são parciais, já que a dimensão real dos massacres permanece difícil de determinar. Desse total, 35% das vítimas são atribuídas a Israel e 32% à Rússia.

16 fev 2026 - 11h38

Atacar deliberadamente civis ou infraestruturas civis em conflitos armados constitui crime de guerra. No entanto, as informações provenientes da Faixa de Gaza, Ucrânia, Sudão e Congo mostram que a prática tem se expandido de maneira sistemática. 

Moradores diante de carros danificados no local de um ataque com drones russos em Odessa, na Ucrânia, em 13 de fevereiro de 2026.
Moradores diante de carros danificados no local de um ataque com drones russos em Odessa, na Ucrânia, em 13 de fevereiro de 2026.
Foto: © Nina Liashonok / Reuters / RFI

Na Ucrânia, a ONG aponta um aumento expressivo da violência contra a população civil. Em 2025, houve um salto de 26% no número de mortos e feridos, tornando o ano o mais letal para civis ucranianos desde 24 de fevereiro de 2022, quando começou a invasão em larga escala pela Rússia. 

Publicidade

A AOAV estima que 2.248 civis foram mortos e 12.493 ficaram feridos por explosões no país, uma média de 4,8 vítimas por bombardeio, o que representa um crescimento de 33% em relação a 2024. Cidades muito distantes da linha de frente também passaram a ser alvo frequente das forças russas. 

Infraestruturas civis no alvo 

Diversos ataques particularmente mortais ocorreram em áreas fora da zona de combate, como o de 24 de junho em Dnipro, que deixou 21 mortos e 314 feridos, e o de 19 de novembro em Ternopil, que matou 38 pessoas, entre elas oito crianças. 

Entre 2025 e o início de 2026, a Ucrânia foi atacada por mísseis e drones quase diariamente. O maior ataque aéreo do conflito ocorreu em 9 de setembro, quando 805 drones e 13 mísseis foram lançados contra o país. 

Os bombardeios têm atingido trens de passageiros, prédios residenciais, escolas e redes de abastecimento essenciais, como água e eletricidade. Em relatório publicado em janeiro, a ONU havia denunciado o uso sistemático de explosivos contra infraestruturas civis e o impacto humanitário provocado pela destruição de serviços básicos. 

Publicidade

Colapso das regras da guerra 

Para o diretor executivo da AOAV, Iain Overton, os números refletem um colapso global das regras de contenção nos conflitos atuais. 

"Temos assistido à erosão desse princípio ao longo dos anos, de Homs a Aleppo, depois Mariupol e, por fim, Gaza. O que parece diferente hoje é a sensação de que já não existe uma ordem internacional baseada em regras capaz de responsabilizar os autores", disse Overton ao The Guardian

Tendência mundial de impunidade 

Além da Ucrânia, os massacres no Sudão e em Mianmar estão entre os mais mortais, com 5.438 e 3.178 vítimas, respectivamente. 

"Na Ucrânia, em Mianmar, em Gaza e no Sudão, a mensagem é a mesma", afirmou Overton. "Quando a impunidade se normaliza, os crimes de guerra deixam de ser exceções chocantes e começam a parecer um método de guerra." 

Embora o número global de vítimas civis tenha caído 26% em comparação com o pico de 2024 - o maior em uma década -, os massacres não só persistem como se tornam cada vez mais sistemáticos. O direito internacional, por sua vez, mostra-se incapaz de conter ou punir essas violações. 

A redução total, segundo a AOAV, se explica pela diminuição da intensidade dos bombardeios na Faixa de Gaza. A ONG registrou 14.024 vítimas civis em Gaza em 2025 - 40% a menos que no ano anterior. Já o Ministério da Saúde, responsável pelo registro oficial das vítimas, contabilizou 25.718 palestinos mortos e 62.854 feridos no mesmo período. 

Publicidade

Massacres continuam em Gaza

Os massacres e bombardeios também continuam sendo uma realidade para os sobreviventes da ofensiva de Israel, que segue acelerando seu projeto colonial na Cisjordânia. Tudo isso apesar do estabelecimento de um cessar-fogo cujo efeito os habitantes de Gaza nunca chegaram a sentir. 

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), por exemplo, estimou em 13 de janeiro que "mais de 100 crianças foram mortas em Gaza desde o cessar-fogo no início de outubro", uma média de uma criança morta por dia. No mesmo período, o Ministério da Saúde de Gaza informou 165 crianças mortas, dentro de um total de 442 óbitos. 

A contagem, porém, permanece difícil devido às condições no local. A Defesa Civil de Gaza anunciou, na quinta-feira (12), que os corpos de cerca de 8 mil civis mortos pelas forças de ocupação israelenses seguem desaparecidos sob os escombros.

RFI com agências

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações