"Pelo menos 27 manifestantes foram mortos por disparos ou outras formas de violência cometidas pelas forças de segurança em oito províncias", escreveu a organização Iran Human Rights (IHR) em seu site, acrescentando que "mais de mil pessoas foram presas".
Nesta terça-feira, os manifestantes gritavam "Pahlavi voltará", referindo-se à dinastia derrubada pela Revolução Islâmica de 1979. Entre outros slogans, a multidão gritou "Seyyed Ali será derrubado", em referência ao líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, segundo imagens cuja autenticidade foi verificada pela AFP.
"Liberdade! Liberdade!", "Sem vergonha", também gritaram dezenas de pessoas, de acordo com vídeos divulgados pelas organizações Iran Human Rights e Human Rights Activists News Agency, esta última dos Estados Unidos.
Neles, é possível ver as forças de segurança usando bombas de gás lacrimogêneo e uma fumaça forte invadindo o bazar, provocando a fuga dos manifestantes.
A agência de notícias iraniana Fars, por sua vez, mencionou apenas "reuniões esporádicas" dispersas pela polícia. E embora a agência tenha considerado impossível estimar o número de manifestantes, um de seus jornalistas calculou cerca de 150 pessoas.
Algumas partes do bazar, como o mercado de ouro, foram fechadas "a partir do meio-dia" como sinal de "protesto contra o aumento da taxa das moedas estrangeiras e a instabilidade dos preços".
O movimento, inicialmente ligado ao custo de vida, começou em 28 de dezembro na capital, antes de se espalhar para outras províncias. É o maior desde o protesto iniciado no final de 2022 pela morte de Mahsa Amini, que foi presa por infringir o rígido código de vestimenta feminino.
Embora as manifestações atuais ainda não representem a importância de 2022, os protestos são um grande desafio para o aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, que está no poder desde 1989, enquanto o país está enfraquecido após a guerra com Israel em junho de 2025 e os golpes contra vários de seus aliados regionais. Além disso, a ONU restabeleceu, em setembro, sanções relacionadas ao programa nuclear iraniano.
Com AFP