Onda de protestos no Irã deixa mais de 20 mortos e milhares de detidos

A polícia iraniana dispersou nesta terça-feira (6), com gás lacrimogêneo, dezenas de manifestantes que gritavam slogans políticos contra o regime no bazar de Teerã, segundo ONGs e vídeos postados nas redes sociais. De acordo com um balanço da Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, pelo menos 27 manifestantes, incluindo cinco menores de idade, foram mortos desde o início da onda de protestos no Irã no final de dezembro.

6 jan 2026 - 15h03

"Pelo menos 27 manifestantes foram mortos por disparos ou outras formas de violência cometidas pelas forças de segurança em oito províncias", escreveu a organização Iran Human Rights (IHR) em seu site, acrescentando que "mais de mil pessoas foram presas".

Pessoas caminham diante de lojas fechadas, após os protestos no Grande Bazar de Teerã, no Irã, em 30 de dezembro de 2025.
Pessoas caminham diante de lojas fechadas, após os protestos no Grande Bazar de Teerã, no Irã, em 30 de dezembro de 2025.
Foto: © Majid AsgaripouMajid Asgari pour WANA via REUTERS / RFI

Nesta terça-feira, os manifestantes gritavam "Pahlavi voltará", referindo-se à dinastia derrubada pela Revolução Islâmica de 1979. Entre outros slogans, a multidão gritou "Seyyed Ali será derrubado", em referência ao líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, segundo imagens cuja autenticidade foi verificada pela AFP.

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"Liberdade! Liberdade!", "Sem vergonha", também gritaram dezenas de pessoas, de acordo com vídeos divulgados pelas organizações Iran Human Rights e Human Rights Activists News Agency, esta última dos Estados Unidos.

Neles, é possível ver as forças de segurança usando bombas de gás lacrimogêneo e uma fumaça forte invadindo o bazar, provocando a fuga dos manifestantes.

A agência de notícias iraniana Fars, por sua vez, mencionou apenas "reuniões esporádicas" dispersas pela polícia. E embora a agência tenha considerado impossível estimar o número de manifestantes, um de seus jornalistas calculou cerca de 150 pessoas.

Algumas partes do bazar, como o mercado de ouro, foram fechadas "a partir do meio-dia" como sinal de "protesto contra o aumento da taxa das moedas estrangeiras e a instabilidade dos preços".

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O movimento, inicialmente ligado ao custo de vida, começou em 28 de dezembro na capital, antes de se espalhar para outras províncias. É o maior desde o protesto iniciado no final de 2022 pela morte de Mahsa Amini, que foi presa por infringir o rígido código de vestimenta feminino. 

Embora as manifestações atuais ainda não representem a importância de 2022, os protestos são um grande desafio para o aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, que está no poder desde 1989, enquanto o país está enfraquecido após a guerra com Israel em junho de 2025 e os golpes contra vários de seus aliados regionais. Além disso, a ONU restabeleceu, em setembro, sanções relacionadas ao programa nuclear iraniano.

Com AFP

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