Novos ataques de Israel atingem centro e sul de Beirute, reduto do Hezbollah

Novos ataques atingiram na manhã desta quarta-feira (11) a zona sul de Beirute, reduto do Hezbollah, após um alerta israelense. Os bombardeios ocorreram após um ataque no início da manhã que atingiu o bairro de Aïcha Bakkar, no centro da capital libanesa, segundo a agência oficial Ani. Nenhum balanço oficial foi divulgado até o momento.

11 mar 2026 - 07h21

Esta é a segunda vez que o Exército israelense ataca o centro da capital libanesa desde domingo (8), enquanto mantém, simultaneamente, os bombardeios contra redutos do Hezbollah no país. A ofensiva já deixou pelo menos 570 mortos de acordo com o último balanço das autoridades do país, além de centenas de milhares de deslocados.

O prédio atingido fica perto da sede da mais alta instituição da comunidade muçulmana sunita, Dar al-Fatwa. "Eu tinha acabado de fechar meu café e subido para casa", disse Fawzi Asmar, lembrando que as noites são mais longas neste mês do Ramadã. "Houve um primeiro ataque, corri para dizer à minha mulher e aos meus filhos que precisávamos nos abrigar atrás de uma parede, e então veio o segundo."

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O Exército israelense já havia anunciado mais cedo uma nova onda de operações em Beirute, e afirma ter como alvo "infraestruturas do Hezbollah". No domingo, outro bombardeio já havia atingido uma área da capital libanesa para onde foram deslocados moradores da zona sul da cidade e do sul do país. O Irã acusou Israel de ter "assassinado" quatro de seus diplomatas destacados no Líbano nesse ataque. Israel afirma ter visado membros dos Guardiões da Revolução iranianos que colaboram com o Hezbollah.

Ainda nesta quarta-feira (11), outra ofensiva israelense na planície do Bekaa, reduto do Hezbollah pró-Irã no leste do Líbano, deixou sete mortos e 18 feridos, segundo o Ministério da Saúde libanês. Segundo a agência oficial Ani, o ataque atingiu uma casa onde vivia uma família de refugiados sírios. O Exército israelense já realizou duas operações na região desde o início das ações militares no Líbano, há cerca de dez dias.

Milhares de deslocados

Cerca de 500 pessoas foram mortas pelas operações israelenses desde 2 de março, segundo números oficiais, e ao menos 759,3 mil pessoas foram deslocadas. A representante do ACNUR no Líbano, Karolina Lindholm Billing, alertou na terça-feira, em Genebra, que "o número de pessoas deslocadas continua aumentando".

"A maioria fugiu às pressas, praticamente sem nada", explicou. Na grande Cidade Esportiva de Beirute, foi montado um acampamento para receber os deslocados. Perto da fronteira com Israel, combatentes do Hezbollah atacaram tropas israelenses perto das cidades de Khiam e Odaisseh, situadas na fronteira, afirmou a organização libanesa em comunicado. O grupo também reivindicou na quarta-feira disparos de mísseis contra território israelense.

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Israel pediu várias vezes que os habitantes se retirassem de uma grande área no sul, que se estende da fronteira até o rio Litani, cerca de 30 km ao norte. Os cerca de 80 habitantes restantes da aldeia cristã fronteiriça de Alma al-Chaab, que resistiam aos avisos israelenses, foram evacuados na terça-feira pelos capacetes azuis.

Com AFP

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