Nobel da Paz em 2026 vai para jurista sul-africana Navi Pillay

Juíza atuou em tribunais internacionais e acusou Israel de genocídio

9 out 2026 - 07h22
(atualizado às 07h55)
Resumo
A jurista sul-africana Navi Pillay, de 85 anos, venceu o Nobel da Paz de 2026 por sua coragem e liderança no direito internacional e no combate a crimes de guerra e genocídios. Com histórico na luta contra o apartheid e passagens marcantes pela ONU e cortes penais globais, ela foi reconhecida pelo Comitê Norueguês como um símbolo de resistência e integridade em um período de forte enfraquecimento das leis e instituições internacionais.

A juíza sul-africana Navanethem "Navi" Pillay, de 85 anos, venceu o Prêmio Nobel da Paz de 2026.

Navi Pillay atuou nos principais tribunais internacionais do mundo
Navi Pillay atuou nos principais tribunais internacionais do mundo
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

O anúncio foi feito nesta sexta-feira (9) pelo Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo, que destacou sua atuação na promoção da paz e do direito internacional e no julgamento de crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio.

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Segundo o comitê, Pillay demonstrou "coragem e integridade excepcionais" ao longo de uma carreira que a levou dos tribunais da África do Sul às principais cortes internacionais do mundo.

"O Prêmio Nobel da Paz de 2026 é concedido a uma pessoa que, com coragem e integridade excepcionais, liderou o caminho rumo a uma ordem jurídica global mais abrangente. A laureada deste ano desempenhou um papel fundamental para garantir que crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio sejam processados", declarou a instituição.

Nascida em 23 de setembro de 1941, em Durban, em uma família de origem indiana tamil, ela se tornou advogada e enfrentou a discriminação estrutural do regime segregacionista, defendendo Nelson Mandela e outros opositores do apartheid.

Pillay foi a primeira mulher não branca a ocupar o cargo de juíza na Alta Corte da África do Sul. Também atuou como magistrada do Tribunal Penal Internacional para Ruanda e do Tribunal Penal Internacional (TPI), além de ter sido alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos entre 2008 e 2014.

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Mais recentemente, presidiu a Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, função em que acusou Israel de genocídio na Faixa de Gaza. Atualmente, é juíza da Corte Internacional de Justiça (CIJ) no caso em que Mianmar é acusado de genocídio.

Ao anunciar o prêmio, o presidente do Comitê Norueguês do Nobel, Jorgen Watne Frydnes, afirmou que a escolha ocorre em um momento em que o direito e as instituições internacionais estão sob ataque. "O sistema do direito internacional está submetido a uma pressão enorme", declarou Frydnes, acrescentando que há um deslocamento "em direção à política de potência, em detrimento dos quadros jurídicos e do respeito global pela lei e pela justiça".

A instituição ressaltou que, em meio a desafios existenciais no planeta, o direito internacional deixou de ser apenas um complemento à paz e à segurança para se tornar "uma necessidade absoluta". "Ao conceder o Prêmio Nobel da Paz deste ano, o Comitê Norueguês do Nobel deseja lembrar ao mundo que o Estado de Direito sustenta o sistema que estabelecemos para garantir a paz e resolver conflitos de forma não violenta. A paz exige justiça", afirmou.

Para a entidade, Pillay "é uma das grandes defensoras dos princípios jurídicos internacionais do nosso tempo", e seu "compromisso com a justiça e a dignidade humana é uma fonte de esperança e inspiração para todos aqueles que buscam construir um mundo mais pacífico".

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Já a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, parabenizou Pillay nas redes sociais. "Poucos dedicaram a vida à justiça, à paz e à dignidade humana como ela. Da violência do apartheid na África do Sul aos horrores do genocídio ruandês, enfrentou alguns dos capítulos mais sombrios da história da humanidade", escreveu a chefe do Executivo europeu.

"É a paladina dos perseguidos, dos vulneráveis, dos que não têm voz e dos marginalizados. É a paladina do Estado de Direito contra o direito da força", salientou.

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