Às vésperas da eleição, o premiê Benjamin Netanyahu gerou forte reação de opositores, do Banco de Israel e de mais de 100 economistas ao propor o uso de criptomoedas para criar uma economia paralela e driblar possíveis sanções internacionais contra o país. Críticos e rivais políticos classificaram a medida como perigosa e ineficaz, alertando que a estratégia pode aprofundar o isolamento econômico de Israel, afastar investimentos externos e derrubar o padrão de vida da população.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que disputa a reeleição nesta semana, vem sendo alvo de críticas de economistas e adversários políticos após sugerir que Israel poderia recorrer a criptomoedas para ajudar a proteger sua economia de possíveis sanções internacionais.
Em entrevista à emissora israelense Channel 10 na sexta-feira, Netanyahu afirmou que está se preparando para um cenário em que sanções mais amplas venham a ser impostas a Israel.
No mês passado, Reino Unido, França e Canadá anunciaram que bloqueariam as importações provenientes de assentamentos israelenses na Cisjordânia, em mais uma de uma série de medidas voltadas contra a política de assentamentos de Israel, destacando o crescente isolamento diplomático do país entre alguns de seus aliados tradicionais.
"Pode haver sanções, inclusive contra os bancos, então é preciso estruturar uma economia paralela", afirmou Netanyahu. "Existem moedas que podem contornar (sanções). Também estamos trabalhando nisso."
Questionado se estava se referindo a criptomoedas, Netanyahu respondeu: "exatamente, exatamente". Ele acrescentou que a tecnologia blockchain também seria uma alternativa.
Os comentários provocaram uma rara repreensão do Banco de Israel, que afirmou que as criptomoedas não podem servir como instrumento para contornar sanções e que os líderes políticos deveriam concentrar-se em políticas que tornem tais medidas desnecessárias.
"O caminho correto para a economia israelense é preservar nossas relações econômicas com nossos principais parceiros comerciais e concentrar esforços em evitar sanções e seus efeitos negativos sobre a economia", afirmou a instituição.
Netanyahu voltou a defender seu histórico neste domingo, pedindo votos aos eleitores e afirmando que ele e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ainda têm dois anos para trabalhar juntos na derrubada dos governantes do Irã.
CRÍTICAS
Mais de 100 economistas, incluindo ex-integrantes do Banco de Israel, o ex-presidente da instituição Jacob Frenkel e diversos vencedores do Prêmio Nobel, assinaram uma carta expressando neste domingo preocupação com a proposta de Netanyahu. Segundo eles, a medida levaria ao aumento do desemprego, à queda do investimento estrangeiro e ao colapso da posição econômica de Israel no cenário internacional.
"Como vimos em países que sofreram sanções semelhantes, como África do Sul, Irã e Rússia, o padrão de vida dos cidadãos israelenses cairia drasticamente, e a capacidade do Estado de financiar sua segurança e se defender de seus inimigos seria severamente prejudicada", diz a carta.
"Netanyahu está deliberadamente conduzindo o Estado de Israel rumo ao boicote e ao isolamento econômico internacional, e tudo o que tem a oferecer à economia israelense é uma solução intrigante, amplamente associada a organizações criminosas, que não ajudará em absolutamente nada."
O principal adversário de Netanyahu na eleição de terça-feira, Gadi Eisenkot, classificou o plano baseado em criptomoedas como uma "loucura" e disse temer que a política da chamada "BibiCoin" leve empresas a deixar o país e comprometa a segurança nacional.
"Netanyahu perdeu completamente o rumo. Ele está prometendo aos cidadãos de Israel, às vésperas desta eleição, que eles ficarão uma hora e meia na fila para comprar pão, como acontece na Rússia e no Irã", afirmou o líder da oposição, Yair Lapid.
Pesquisas de opinião indicam a possibilidade de um impasse no pleito, sem que nem a coalizão governista de Netanyahu nem uma aliança da oposição consigam conquistar maioria parlamentar suficiente para formar governo.