O premiê israelense Benjamin Netanyahu afirmou que o copiloto que atacou o comandante em um voo da FlyDubai rumo a Tel Aviv foi "radicalizado" e tentou derrubar a aeronave com 174 pessoas. O piloto ferido abriu a cabine e, com a ajuda de passageiros, conteve o agressor, pousando em segurança na Arábia Saudita. Autoridades investigam possíveis ligações terroristas ou com o Irã, enquanto companhias aéreas suspenderam voos para Israel e passageiros que intervieram foram condecorados por bravura.
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quinta-feira (1º) que o copilato proveniente de Omã suspeito de atacar o comandante de um voo da FlyDubai, desviado para a Arábia Saudita, havia sido "radicalizado" e aparentava ter intenção de provocar a queda da aeronave.
Em entrevista à Fox News, o premiê israelense disse que o "agressor está sendo investigado" e teria declarado à tripulação "me matem".
Para Netanyahu, as circunstâncias indicam uma possível tentativa deliberada de atacar a aeronave: "Está claro que ele pretendia cometer suicídio e derrubar o avião", ressaltou.
A alegação sobre radicalização e a motivação do suspeito, porém, ainda não foram estabelecidas e fazem parte da investigação em andamento.
Durante a entrevista, Netanyahu também afirmou que vai esclarecer o caso completo e logo saberá "se o Irã está envolvido". "O que diferencia este incidente de outros ataques trágicos é que, desta vez, os mocinhos venceram", afirmou.
O incidente ocorreu no voo FZ1073, que partiu de Dubai com destino a Tel Aviv com 174 pessoas a bordo. Segundo autoridades israelenses e relatos publicados por veículos internacionais, o copiloto teria atacado o comandante indiano Smith Matchachar na cabine.
O avião perdeu altitude e acabou sendo desviado para Tabuk, na Arábia Saudita, onde pousou em segurança. O piloto ficou ferido, mas conseguiu abrir a porta da cabine, permitindo que passageiros e outros integrantes da tripulação interviessem. O suspeito foi detido após o pouso.
Matchachar recebeu atendimento médico e foi posteriormente transferido para Dubai, segundo relatos da imprensa indiana.
Em Israel, o presidente Isaac Herzog anunciou que pretende indicar quatro passageiros israelenses ? Yaniv Hayoun, Shota Musayev, Zvika Manes e Asaf Rajuan ? ao Prêmio Presidencial de Valor Civil.
Segundo Herzog, os quatro colocaram suas próprias vidas em risco para ajudar a impedir uma tragédia.
Já o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, classificou o piloto como um herói e afirmou que sua atuação ajudou a salvar centenas de vidas.
Hoje cedo, Netanyahu revelou que Israel não recebeu informações específicas antes do incidente. "Não houve aviso prévio" sobre o episódio, disse ele, acrescentando que seu governo pretende acompanhar a investigação e poderá participar dos trabalhos.
De acordo ele, o suspeito está sob custódia na Arábia Saudita e pode ser transferido para os Emirados Árabes Unidos, país onde o voo teve origem.
Além disso, o premiê de Israel também disse haver preocupação com a possibilidade de ataques contra alvos israelenses durante o período eleitoral.
O procurador-geral dos Emirados Árabes Unidos, Hamad Saif Al Shamsi, determinou a criação de uma equipe especializada para investigar o incidente. A apuração deverá esclarecer as circunstâncias e as motivações do episódio e verificar, entre outros pontos, se houve ligação com atividade terrorista ou se o ataque foi planejado ou coordenado previamente.
Por sua vez, a Autoridade Geral de Aviação Civil dos Emirados informou que o incidente de segurança foi controlado e que o avião realizou um pouso de emergência em Tabuk. Além disso, pediu que informações não oficiais não fossem divulgadas antes da conclusão das investigações.
Paralelamente, a FlyDubai suspendeu temporariamente os voos de e para Israel enquanto as investigações prosseguem. A medida foi seguida pela Emirates, que também interrompeu o embarque de passageiros com destino final em Tel Aviv.
Ontem (30), Netanyahu conversou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, "sobre o incrível ato de heroísmo que nos salvou de uma catástrofe - algo que poderia ter tido consequências não apenas para Israel". .