A polícia da Itália prendeu Bruno Antonio Malatesta, de 59 anos, acusado de liderar uma seita perto de Turim. Sob a fachada de cursos de yoga e meditação, ele atraía mulheres vulneráveis, incluindo menores e pacientes com câncer, para escravizá-las e estuprá-las em supostas "terapias purificadoras". O suspeito também tomava os bens das vítimas e fraudava a previdência. A Operação Asmodeus investiga ainda outros três cúmplices por envolvimento nos abusos e na subjugação psicológica do grupo.
A polícia da Itália prendeu nesta quinta-feira (1º) um homem de 59 anos suspeito de liderar uma seita cujas seguidoras eram escravizadas e submetidas a abusos sexuais.
Bruno Antonio Malatesta residia no Vale de Susa, zona rural situada cerca de 40 quilômetros a oeste de Turim, e, segundo as investigações, atraia mulheres, incluindo menores de idade e pacientes com câncer, para uma comunidade residencial e as obrigava a fazer voto de obediência e pobreza e a transferir bens para ele.
As vítimas eram chamadas pelo suspeito de "monjas", "servas" ou "adeptas" e eram submetidas a uma rotina de estupros sob o disfarce de "terapias purificadoras". Elas também vestiam túnicas laranja, raspavam a cabeça e precisavam respeitar um voto de castidade nas relações com os próprios parceiros, porém não com Malatesta. O sistema também incluía castigos corporais ou dormir no chão.
O suspeito, de acordo com o inquérito, se autoproclamava "o escolhido" e alegava manter contato com a "mãe divina". Na internet, ele se apresenta como "mestre" e professor de yoga e disciplinas holísticas, além de "especialista em artes marciais indianas e em reequilíbrio bioenergético com cristais".
Em seu perfil profissional, Malatesta afirma ter iniciado sua formação na Índia, frequentando mosteiros e ashrams (centros de retiro espiritual dedicados à meditação) no Himalaia, e que, ao longo dos anos, também estudou naturopatia, bioenergia e xamanismo.
No entanto, segundo a polícia, ele usava uma fachada de cursos de yoga, meditação e artes marciais para atrair pessoas em condição de vulnerabilidade e recrutá-las para um "sistema de subjugação psicológica feito de violências, coerções de trabalho e abusos sexuais".
Ele responderá por escravidão, maus-tratos, violência sexual agravada e fraude agravada contra o Estado, já que teria fingido uma incapacidade de andar para receber ilegalmente uma pensão por invalidez.
A operação que levou à prisão de Malatesta também investiga mais três suspeitos e foi batizada como "Asmodeus", em referência ao demônio bíblico que mata os maridos de Sara nas noites de núpcias para impedir que ela vivesse em matrimônio.
As outras pessoas na mira do inquérito ? todas elas em liberdade ? são uma mulher que também usava o título de "mestre", uma psicóloga e um massoterapeuta que praticava "tratamentos sexuais". .