Negociador iraniano cobra fim de ataques no Líbano antes de tratativas

Teerã insiste que conflito entre Israel e Hezbollah faça parte de cessar-fogo

10 abr 2026 - 12h53
(atualizado às 13h36)

O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, cobrou nesta sexta-feira (10) o fim dos ataques de Israel no Líbano antes do início das negociações com os Estados Unidos em Islamabad, no Paquistão.

Paquistão reforçou segurança em Islamabad para negociações entre EUA e Irã
Paquistão reforçou segurança em Islamabad para negociações entre EUA e Irã
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

Ghalibaf vai liderar a delegação iraniana nas tratativas, ao lado do ministro das Relações Exteriores da República Islâmica, Abbas Araghchi, mas a continuidade do conflito em território libanês tem colocado em risco o cessar-fogo de duas semanas entre Washington e Teerã.

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"Duas das medidas mutuamente acordadas ainda precisam ser implementadas: um cessar-fogo no Líbano e a liberação dos ativos iranianos congelados. Essas duas questões devem ser resolvidas antes do início das negociações", escreveu o presidente do Parlamento no X.

Tanto os Estados Unidos quanto Israel negam que o Líbano faça parte do acordo de cessar-fogo, mas o presidente Donald Trump pressionou o premiê Benjamin Netanyahu a abrir negociações diretas com Beirute. As conversas, no entanto, começarão apenas na semana que vem.

"As Forças de Defesa de Israel estão em estado de guerra [no Líbano], não estamos em cessar-fogo, continuamos a lutar aqui nesta área, que é nossa principal zona de combate. No Irã, porém, estamos em cessar-fogo e podemos retomar os combates a qualquer momento", disse o chefe do Estado-Maior israelense, Eyal Zamir, durante uma visita a Bint Jbeil, área ocupada pelas IDF no sul do país árabe.

Apenas desde o início da trégua no Irã, os ataques de Israel contra o grupo xiita Hezbollah já mataram mais de 300 pessoas no Líbano e deixaram mais de mil feridos.

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Enquanto isso, o vice-presidente dos EUA, JD Vance, partiu rumo a Islamabad, onde encabeçará a delegação americana nas negociações com Teerã, e disse estar "otimista", mas alertou para a República Islâmica não "brincar".

"Se os iranianos estiverem dispostos a negociar de boa fé, certamente estaremos dispostos a estender a mão. Mas se eles tentarem brincar conosco, descobrirão que a equipe de negociação não será tão receptiva", afirmou o republicano antes de embarcar.

O cessar-fogo temporário previa o fim dos ataques contra o Irã em troca da reabertura total do Estreito de Ormuz, mas Teerã manteve a rota parcialmente fechada devido à continuação do conflito no Líbano.

"O Irã está fazendo um trabalho muito ruim, desonroso, no Estreito de Ormuz. Esse não é o acordo que temos", escreveu Trump nas redes sociais. Além do fluxo de navios petroleiros na região, as negociações no Paquistão também devem discutir o enriquecimento de urânio por parte da República Islâmica e seu programa nuclear.

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As autoridades de Islamabad já mobilizaram cerca de 10 mil agentes das forças de ordem para atuar na segurança das tratativas de paz e impuseram diversas restrições de circulação na cidade.

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