Ao menos 139 migrantes morreram e 84 continuam desaparecidos após o naufrágio de um barco superlotado que partiu do Djibouti rumo ao Iêmen. A embarcação levava 305 pessoas, a maioria etíopes em busca de trabalho no Golfo, quando virou perto de Obock. Segundo a OIM, 82 sobreviveram à tragédia, que evidencia os perigos fatais dessa rota migratória.
Ao menos 139 pessoas morreram, incluindo 15 crianças, e 84 continuam desaparecidas após o naufrágio de uma embarcação lotada de migrantes que seguia do Djibouti, no Chifre da África, para o Iêmen, no Oriente Médio.
A informação foi divulgada neste domingo (11) pela Organização Internacional para as Migrações (OIM), agência ligada à ONU. O acidente ocorreu na madrugada de 8 para 9 de outubro, ao norte da cidade de Obock, no Djibouti.
Segundo a OIM, o barco transportava 305 pessoas, a maioria etíopes, quando virou. O balanço inicial apontava 109 mortos e 116 desaparecidos, mas foi revisado para 139 mortos e 84 desaparecidos após a recuperação de mais corpos.
Entre as vítimas confirmadas anteriormente estão pelo menos nove meninas e seis meninos. "Os sobreviventes me disseram que o barco começou a afundar para trás assim que entraram nele", afirmou à Alexandre Coissac, chefe da missão da OIM no Djibouti, à agência AFP. "É uma perda devastadora de vidas", acrescentou.
Já o presidente da Comissão da União Africana, Mahmoud Ali Youssouf, expressou "profundo pesar pela trágica perda de vidas" e pediu o fortalecimento da luta contra o tráfico de migrantes. "É preciso abordar as causas profundas da migração irregular e promover uma migração segura, ordenada e regular", salientou.
De acordo com a OIM, 82 pessoas sobreviveram ao naufrágio, todas de nacionalidade etíope.
Os migrantes tentavam atravessar o estreito de Bab el-Mandeb em direção ao Iêmen para, em seguida, alcançar países do Golfo em busca de oportunidades econômicas. "Essa tragédia é um lembrete cruel dos perigos enfrentados pelos migrantes ao longo desse corredor migratório", afirmou Coissac à AFP.
Segundo a OIM, apenas em 2025, mais de 900 pessoas morreram ou desapareceram na travessia até o Iêmen, que está em guerra civil desde 2014. Entre janeiro e outubro deste ano, cerca de 178 mil migrantes chegaram no Djibouti provenientes da vizinha Etiópia, país que também convive com um conflito armado na região de Trigré.