Um piloto da Flydubai evitou uma tragédia ao abrir a cabine após ser esfaqueado pelo copiloto, que tentava derrubar o avião com 174 a bordo entre Dubai e Tel Aviv. O jato despencou mais de 5 mil metros em um minuto, mas passageiros conterem o agressor, permitindo que outros pilotos a bordo fizessem um pouso de emergência na Arábia Saudita. O suspeito foi detido e o comandante foi elogiado por líderes internacionais pela bravura, enquanto autoridades investigam as motivações do ataque.
"Eu estava tentando salvar minha própria vida, mas sabia que não poderia deixar todas pessoas morrerem", declarou Machchhar, que segue hospitalizado em Riade, durante uma ligação com Modi.
O avião que o piloto indiano conduzia fazia a rota entre Dubai e Tel Aviv, com 174 pessoas a bordo, entre elas 166 israelenses, quando o incidente ocorreu na quarta-feira (30).
Machchhar, piloto há 17 anos e comandante há 11, relatou o ataque que sofreu do colega, armado de uma faca. Ele disse ter percebido que, durante a agressão, a aeronave estava perdendo altitude. Ferido, e no chão, ele tentou reagir.
"Eu tinha (...) tantos ferimentos que desabei. Foi então que senti que o avião estava caindo. Sabia que era a minha última chance e que a porta estava logo ali", contou. "Eu ainda estava sendo agredido naquele momento, mas simplesmente abri a porta e todos entraram."
Machchhar explicou ter compreendido o que estava acontecendo graças aos seus anos de experiência. O copiloto o teria atacado para obter o controle da aeronave.
Queda de 17 mil pés em um minuto
Passageiros que ouviram a briga na cabine intervieram para evitar a queda do avião, que perdeu cerca de 17 mil pés (aproximadamente 5.180 metros) de altitude em apenas um minuto, segundo o site Flightradar24.
Com o controle da aeronave assumido por dois pilotos que estavam entre os passageiros, o Boeing da Flydubai acabou realizando um pouso de emergência na Arábia Saudita. O copiloto, cuja identidade não foi revelada, seria cidadão de Omã. Ele foi imobilizado por passageiros e detido na Arábia Saudita.
As autoridades sauditas confirmaram na quinta-feira que o copiloto atacou seu colega durante o voo, sem fornecer mais informações sobre suas motivações. Riade também informou que o suspeito foi transferido para os Emirados Árabes Unidos.
'Imensa coragem'
Modi afirmou que a "imensa coragem" de Machchhar permitiu salvar centenas de vidas e evitar "uma grande tragédia". A embaixada da Índia nos Emirados Árabes Unidos informou na quinta-feira (1°) que Machchhar está "em boas condições de saúde e se recuperando bem".
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também elogiou, na quarta-feira, a "coragem extraordinária" do piloto por ter "evitado uma catástrofe em pleno voo". Ele e outros membros de seu governo defendem que o incidente foi uma tentativa de ataque jihadista.
Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considerou na quinta-feira provável o envolvimento de Teerã no incidente. O líder republicano prometeu que o Irã seria "atingido com muita força" se a responsabilidade for confirmada.
As circunstâncias exatas do confronto entre os dois pilotos ainda estão sendo averiguadas para determinar a motivação do ataque. Os Emirados Árabes Unidos abriram uma investigação na quinta-feira (1°) sobre o incidente.
Cancelamento de voos da El AI
Todos os passageiros israelenses do voo da Flydubai foram repatriados na noite de quarta-feira. Nesta manhã, a companhia aérea El Al anunciou o cancelamento dos voos programados para esta sexta-feira que deveriam repatriar israelenses retidos em Dubai. A empresa não forneceu mais detalhes sobre sua decisão.
O Ministério dos Transportes de Israel declarou que, por enquanto, o país não pode organizar voos especiais "devido à necessidade de concluir os preparativos e se coordenar" com as autoridades de segurança dos Emirados Árabes Unidos "para permitir a operação dos voos".
Em seu site, a El Al continua anunciando voos saindo de Dubai a partir de domingo (4), mas informa que eles já estão lotados para a próxima semana.
RFI com AFP