Na Síria, secretário-geral da ONU pede ajuda internacional e respeito à soberania do país

Em sua primeira visita à Síria, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, conclamou neste sábado (25) a comunidade internacional a ajudar o país em transição após anos de guerra civil e a instalação de novas autoridades. Em conjunto com o presidente Ahmad al-Chareh, ele também pediu respeito à soberania síria, numa referência às incursões israelenses no sul do país.

25 jul 2026 - 12h19

Esta é a primeira visita de um secretário-geral da ONU desde a de Ban Ki-moon, em 2009. Ela ocorre mais de um ano e meio após a queda, no fim de 2024, do presidente Bashar al-Assad, derrubado por uma coalizão de rebeldes islamistas.

"A comunidade internacional deve contribuir para criar as condições necessárias à retomada econômica, ajudar na restauração dos serviços essenciais e das infraestruturas, ampliar as oportunidades de subsistência e emprego", declarou Guterres em entrevista coletiva em Damasco, após falar em um "momento decisivo" para a Síria.

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'Inaceitável'

Segundo a agência estatal Sana, o líder da ONU havia se reunido mais cedo no palácio presidencial com Ahmad al-Chareh, que governa o país desde dezembro de 2024, após visitar a cidade antiga de Damasco, incluindo a célebre mesquita dos Omíadas.

De acordo com um comunicado do gabinete de Chareh, o encontro tratou do reforço da cooperação entre Síria e ONU "nas áreas humanitária e de desenvolvimento" e do "apoio aos esforços de reconstrução". Guterres foi recebido no aeroporto internacional de Damasco pelo ministro sírio das Relações Exteriores, Assaad al-Chaibani.

Durante a visita, ele deve encontrar integrantes da força de paz da ONU posicionada na zona tampão do planalto de Golã sírio, cuja parte foi anexada unilateralmente por Israel em 1981. Após a queda de Assad, Israel enviou tropas para essa área. Seu Exército também realizou repetidas incursões e bombardeios em território sírio, além de declarar intenção de instaurar uma zona desmilitarizada no sul.

Na coletiva, Guterres ressaltou "a importância do respeito total à soberania da Síria", afirmando que a situação perto do Golã é "inaceitável". "Gostaria de lembrar à comunidade internacional que o planalto de Golã é território sírio", acrescentou. Chaibani, por sua vez, exigiu uma "retirada israelense imediata e incondicional" da área onde as forças israelenses avançaram.

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Desde que assumiu o poder, Ahmad al-Chareh rompeu com seu passado jihadista e tenta atrair investidores para um país cujas infraestruturas foram gravemente destruídas pela guerra civil entre 2011 e 2024. A comunidade internacional, por outro lado, pede que ele construa instituições sólidas e eficazes e estabeleça uma governança inclusiva e plural. Em março de 2025, Chareh proclamou uma Declaração Constitucional que fixa um período de transição de cinco anos, ao fim do qual devem ser realizadas eleições. Enquanto isso, o Parlamento já está em funcionamento, mas seus membros não foram eleitos, o que gerou críticas da sociedade civil.

O porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric, reiterou a necessidade de "mais estabilidade, inclusão e prosperidade para todos os sírios", destacando o papel das Nações Unidas em acompanhá-los "nesse caminho".

Desafios enormes

O país foi palco, em março de 2025, de massacres contra alaouitas, minoria da qual Assad provém, e de confrontos sangrentos com combatentes drusos no mesmo ano.

Durante a visita, Antonio Guterres deve se reunir com representantes da sociedade civil, organizações de mulheres e diversas comunidades do país. 

A guerra na Síria deixou mais de 500 mil mortos e mais de 10 milhões de deslocados e refugiados. Com grande parte da população vivendo na pobreza, estima-se que 15,6 milhões de pessoas precisem de ajuda humanitária. O custo da reconstrução foi estimado em mais de US$ 216 bilhões pelo Banco Mundial.

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Com AFP

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