O Brasil detém as segundas maiores reservas globais desses recursos, e a Índia, que busca reduzir sua dependência de fontes dominadas pela China, tem investido na expansão da produção interna e na reciclagem, além de procurar novos fornecedores. A parceria com o Brasil é estratégica para diversificar suas fontes de fornecimento.
Lula, que lidera uma delegação composta por ministros e empresários, chegou a Nova Délhi na quarta-feira para participar de um cúpula global sobre inteligência artifical. No sábado, ele foi recebido com uma cerimônia oficial, prestou homenagens ao líder indiano Mahatma Gandhi e, em seguida, se reuniu com Modi para discutir as perspectivas de colaboração.
Durante o encontro, ambos os líderes assinaramum memorando de entendimento sobre minerais críticos e abordar a ampliação das trocas comerciais, que já superaram US$ 15 bilhões em 2025. O Brasil é o maior parceiro comercial da Índia na América Latina e os dois países estabeleceram uma meta de US$ 20 bilhões para o comércio bilateral até 2030.
Diversificação de fontes
Com a China dominando quase completamente a produção de terras raras, Índia e Brasil veem a diversificação das fontes de abastecimento como uma prioridade. Rishabh Jain, especialista do thinktank indiano Conselho de Energia Meio Ambiente e Água, ressaltou que a crescente colaboração em minerais críticos entre os dois países complementa os esforços da Índia para fortalecer cadeias de suprimentos com outras potências, como os EUA, a França e a União Europeia.
Além dos temas econômicos, os dois líderes discutirão também os desafios do comércio multilateral, após os dois países terem sido impactados pelas tarifas dos EUA em 2025. Washington anunciou recentemente a revogação das tarifas sobre produtos indianos, em um novo acordo comercial. A diplomata brasileira Susan Kleebank destacou que a conversa entre Lula e Modi permitirá um aprofundamento das discussões sobre os desafios enfrentados pelo multilateralismo.
"Novo impulso"
A Índia, que está a caminho de se tornar a quarta maior economia global, tem aumentado sua demanda por produtos brasileiros, como açúcar, petróleo, óleos vegetais, algodão e minério de ferro, especialmente devido à rápida expansão de sua infraestrutura e do crescimento industrial. O ministro das Relações Exteriores da Índia, Subrahmanyam Jaishankar, expressou confiança de que o encontro com Lula trará um "novo impulso" às relações bilaterais.
Além disso, empresas brasileiras, como a Embraer e o Grupo Adani, estão expandindo operações na Índia, com planos de construção de aeronaves no país.
Após o encontro, Lula continuará sua viagem e participará de reuniões na Coreia do Sul, onde se encontrará com o presidente Lee Jae Myung e participará de um fórum de negócios.