"No acordo que assinamos com os Estados Unidos, nossa posição é que o Hamas deve ser desmantelado. Essa é a primeira coisa que deve acontecer", declarou Eli Cohen à rádio do Exército israelense. O ministro acrescentou que Israel daria ao Hamas a possibilidade de depor as armas, antes de afirmar: "Sou muito cético quanto à possibilidade de que isso aconteça."
Cohen disse ainda considerar necessário que Israel, que controla cerca de 70% do enclave palestino, assuma o controle total do território. O ministro integra o gabinete de segurança do premiê Benjamin Netanyahu, um círculo restrito encarregado de supervisionar a política de segurança e diplomática de Israel.
Suas declarações ocorrem poucos dias após o anúncio de um acordo sobre o desarmamento do movimento islamista Hamas e a retirada israelense do território palestino. Segundo o texto do acordo firmado pelo "Conselho de Paz" do presidente dos Estados Unidos Donald Trump, que foi o primeiro a anunciá-lo na noite de quinta-feira (30), tanto Israel quanto o Hamas deverão interromper suas operações militares.
O acordo também prevê "uma retirada progressiva das forças israelenses das áreas que ainda controlam em Gaza", assim como o "desmantelamento dos grupos armados, incluindo o Hamas". No entanto, embora o movimento tenha confirmado o compromisso, Israel ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre o texto.
Pelo menos 13 mortos em 24 horas
Segundo os serviços de saúde da Faixa de Gaza, Israel realizou vários bombardeios neste fim de semana. Os ataques e disparos que continuaram entre a noite de sábado e a madrugada de domingo atingiram diversos edifícios residenciais e deixaram oito mortos, de acordo com a Defesa Civil.
Esses novos bombardeios israelenses no enclave deixaram pelo menos 13 mortos em 24 horas, informou a Defesa Civil neste domingo.
O Exército israelense não comentou imediatamente essas informações. No sábado (1°), limitou-se a afirmar que havia matado três "terroristas", depois de as autoridades de Gaza relatarem oito mortes.
Israel e o Hamas acusam-se mutuamente de violar o cessar-fogo em vigor desde outubro passado, e os ataques israelenses ao território permaneceram frequentes.
O Ministério da Saúde de Gaza informou que 152 pessoas foram mortas no território em julho, o maior número mensal de vítimas desde o início do ano, segundo o órgão. Desde outubro, ao menos 1.222 palestinos foram mortos na Faixa de Gaza, de acordo com o Ministério da Saúde, cujos números são considerados confiáveis pela ONU. O Exército israelense afirma ter perdido cinco soldados no mesmo período, além de um funcionário civil contratado.
(Com agências)