Por Leonardo Cioni - Antes de se transformar em tragédia, o voo panorâmico sobre as Linhas de Nazca no qual 13 pessoas perderam a vida no último sábado (1º), entre elas sete italianos, deveria ser o ponto alto de um dia inesquecível: antes, os 11 turistas a bordo (os outros dois ocupantes da aeronave eram um piloto e uma copiloto) haviam visitado as vizinhas Ilhas Ballestas, consideradas um dos destinos naturais mais fascinantes do Peru.
As condições pareciam perfeitas: céu azul aberto, sol radiante. Circunstâncias que tornam ainda mais enigmáticas as causas do acidente, ocorrido após a retomada dos voos na região, que haviam sido suspensos devido ao forte vento, segundo a agência estatal de notícias Andina. Na sexta-feira (31), rajadas violentas causaram queda de árvores, danos à infraestrutura e acidentes de trânsito.
O Ministério dos Transportes peruano determinou a abertura de uma investigação, que ficará a cargo da Direção-Geral de Aeronáutica Civil e da Comissão de Investigação de Acidentes Aéreos.
Entre as possíveis causas, cogita-se o mau tempo ou eventuais más condições da aeronave, um Cessna Grand Caravan pertencente à companhia Aerodiana. Mas também não se descarta um possível erro humano, já que, para permitir que os turistas admirem os enormes geoglifos das Linhas de Nazca, as pequenas aeronaves usadas nos voos panorâmicos costumam realizar manobras complexas.
Enquanto isso, fotos e vídeos que circulam nas redes sociais não deixam espaço para a imaginação: o canal de televisão "Noticias de Piura" capturou o momento exato do acidente. Na filmagem, é possível ver o avião perdendo partes enquanto cai em queda livre em direção a uma plantação.
A aeronave havia partido de Pisco, na região de Ica, e estava concluindo o sobrevoo das Linhas de Nazca, preparando-se para pousar no aeroporto Maria Reiche. O piloto teria emitido um sinal de socorro por volta das 13h (horário local), cerca de uma hora após a decolagem. No entanto, poucos minutos depois, as comunicações via rádio teriam sido interrompidas.
A presidente do Peru, Keiko Fujimori, não descartou a hipótese de fechar temporariamente o aeroporto de Pisco, mas se absteve de anunciar qualquer medida concreta "até a conclusão das investigações". Após o acidente, a Aerodiana divulgou um comunicado manifestando sua "total disponibilidade para fornecer todo o apoio necessário".
Em seu site, a companhia, com 18 anos de atuação, destaca possuir três aeronaves de última geração, com capacidade para 12 passageiros "confortavelmente sentados". Indica ainda que seus aviões passam por manutenção a cada 100 horas de voo e são pilotados por "profissionais altamente qualificados, com vasta experiência de voo na região".