Milhares protestam em Washington enquanto líderes alertam para retrocessos nos direitos eleitorais e civis

28 ago 2026 - 14h59
(atualizado às 15h46)
Resumo
Milhares de pessoas se reuniram em Washington na marcha "Defenda o Voto" para alertar sobre retrocessos nos direitos civis e eleitorais nos EUA. Inspirado no legado de Martin Luther King Jr. e liderado por diversas organizações, o protesto ocorreu após a Suprema Corte enfraquecer a Lei dos Direitos de Voto, o que gerou manobras em assembleias estaduais para redesenhar mapas eleitorais. Os manifestantes defenderam o sufrágio como pilar da democracia frente a recentes restrições e ameaças políticas.

Mais de seis décadas depois ‌que Martin Luther King Jr. subiu aos degraus do Memorial Lincoln e declarou seu sonho de uma América mais justa, milhares de pessoas se reuniram em Washington nesta sexta-feira para alertar que o direito ao voto e outras liberdades pelas quais ele lutou e morreu estão mais uma ⁠vez sob ameaça.

Líderes de direitos civis reiteraram as mesmas reivindicações que ele fez ‌da escadaria do Memorial Lincoln há duas gerações e meia: que a luta pela igualdade ainda não terminou.

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O evento, chamado "Marcha em Washington 2026: ‌Defenda o Voto", atraiu vários milhares de ‌pessoas ao National Mall, incluindo sindicalistas, estudantes, membros de fraternidades e ⁠irmandades afro-americanas e participantes de todas as idades que viajaram de todas as partes do país.

A marcha ocorre depois que a Suprema Corte enfraqueceu uma disposição fundamental da Lei dos Direitos de Voto este ano, desencadeando uma série de disputas sobre o redesenho de distritos eleitorais em todo o ‌Sul, com as assembleias estaduais lideradas pelos republicanos agindo rapidamente — em alguns casos, ‌em questão de dias — ⁠para redesenhar os ⁠mapas eleitorais a tempo das eleições de meio de mandato em novembro.

"Sabemos que, nessa ⁠luta, estamos enfrentando forças poderosas, mas ‌é por isso que nos ‌reunimos hoje", disse Marc Morial, presidente da organização de direitos civis National Urban League. "É por isso que buscamos unir norte-americanos de boa vontade de todas as raças, de todas as regiões do país, para ⁠resistir com toda a força que pudermos."

O encontro foi organizado pela National Action Network, de Al Sharpton, e pelo Drum Major Institute, de Martin Luther King III e Arndrea Waters King, em parceria com mais de 90 organizações comunitárias, incluindo a ‌NAACP e a National Urban League.

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"Defender o voto significa defender os alicerces da nossa democracia", afirmou King III em comunicado. "Sessenta e três anos depois ⁠que meu pai subiu ao Memorial Lincoln, somos chamados a marchar novamente, não apenas em memória, mas em ação."

Segundo os organizadores, o ato tem como objetivo "enfrentar o retrocesso sistêmico dos direitos civis neste momento crítico", referindo-se aos esforços do presidente Donald Trump para restringir o voto por correio, enfraquecer as proteções antidiscriminação em todo o governo federal e alterar fundamentalmente o próprio significado dos direitos civis.

"Estamos no mesmo lugar porque o trabalho ainda não terminou", escreveu Sharpton em uma carta aos apoiadores. "O direito ao voto, o próprio alicerce do nosso poder, está sendo minado em uma assembleia estadual após a outra. Quando o voto é enfraquecido, todos os outros direitos se tornam frágeis junto com ele."

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