Milão estima prejuízo de 500 mil euros após confrontos e debate segurança

Atos na cidade foram marcados por embate entre manifestantes e forças policiais

18 out 2026 - 08h59
Resumo
Confrontos em Milão contra o custo de vida deixaram 12 presos, mais de 90 policiais feridos e um prejuízo de 500 mil euros ao comércio. O episódio gerou um embate entre o prefeito Giuseppe Sala, que criticou o efetivo policial por considerá-lo insuficiente, e o ministro do Interior, Matteo Piantedosi, que defendeu a atuação das forças de segurança. Enquanto a cidade tenta voltar à normalidade, setores comerciais alertam para o crescimento da agitação social.

Os confrontos ocorridos no sábado (17) durante uma manifestação contra o aumento do custo de vida no centro de Milão provocaram prejuízos superiores a 500 mil euros para o comércio local, segundo estimativas iniciais da Confcommercio, associação que representa empresas do setor.

    O cálculo, divulgado neste domingo (18), inclui os danos materiais e a perda de receita decorrente do fechamento antecipado de lojas e estabelecimentos, às 17h, por determinação das autoridades.

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    Em declarações à ANSA, Marco Barbieri, secretário-geral da Confcommercio de Milão, manifestou "profunda preocupação" com a dimensão dos distúrbios e disse que "uma situação como esta nunca foi vista antes" na cidade.

    Barbieri também alertou para os sinais de agitação social, embora tenha reafirmado a confiança nas instituições e defendido o envolvimento de todos na busca por soluções.

    "Há preocupação com o futuro, pois isso evidencia um estado de agitação social, mas também há confiança nas instituições. Todos precisam fazer a sua parte", declarou ele.

    De acordo com o executivo, a entidade pretende apresentar, em 16 de novembro, às autoridades municipais seu projeto "Cidades", que reúne propostas para utilizar o comércio como instrumento de integração urbana e social e combater a desertificação comercial, fenômeno caracterizado pelo fechamento progressivo de estabelecimentos em áreas urbanas.

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    Barbieri também manifestou apoio às forças de segurança, elogiando o trabalho realizado pelos agentes durante os confrontos. Questionado sobre as críticas ao número de policiais mobilizados, evitou avaliar diretamente o planejamento operacional e ressaltou a importância da atuação das equipes.

    "O paciente está doente; em vez de paracetamol, eu teria receitado ibuprofeno. Mas não sou médico. Não sou nem o comissário de polícia, nem o prefeito. Direi apenas que as forças de segurança desempenham uma função importante e, independentemente do efetivo, realizam um excelente trabalho", afirmou.

    O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, por sua vez, afirmou que o efetivo policial presente na manifestação foi insuficiente diante da violência registrada, especialmente na Piazza del Duomo.

    Em entrevista à emissora RTL, ele disse ter a impressão de que a gravidade da situação foi subestimada e que os recursos disponibilizados à polícia não foram adequados.

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    Sala relatou que, apesar da presença de um grande número de manifestantes violentos, havia poucos agentes no local. Segundo ele, os responsáveis pelos distúrbios se dividiram em grupos menores, dificultando o monitoramento e a atuação das forças de segurança no centro da cidade.

    O prefeito distinguiu os manifestantes pacíficos daqueles que recorrem à violência e defendeu o reforço do policiamento nas ruas, além de uma preparação mais eficaz para prevenir novos episódios.

    Além disso, Sala afirmou estar profundamente preocupado com a possibilidade de que os confrontos sejam apenas o início de uma série de incidentes semelhantes e declarou solidariedade às forças de segurança.

    O prefeito também mencionou episódios de violência registrados em outras cidades, como Tirana e localidades francesas, para defender medidas preventivas mais robustas. Para ele, em dez anos à frente da prefeitura, nunca havia sentido que a situação nas ruas estivesse tão próxima de escapar ao controle.

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    "Esses indivíduos são muito perigosos ? e digo isso na qualidade de prefeito: é preciso haver mais agentes de segurança nas ruas", concluiu.

    O ministro do Interior da Itália, Matteo Piantedosi, rebateu as críticas do prefeito e afirmou que o efetivo policial mobilizado era suficiente. Segundo ele, as medidas de segurança devem ser avaliadas posteriormente, tanto para verificar sua eficácia quanto para aprimorar a resposta a futuros desafios.

    Piantedosi também criticou o que considerou uma tentativa de desviar o foco dos responsáveis pelos atos violentos para o número de agentes mobilizados e afirmou que os policiais estavam presentes na praça e atuaram adequadamente, evitando consequências ainda mais graves.

    Na manhã deste domingo, o centro de Milão apresentava sinais de normalização. A Piazza del Duomo e as ruas próximas foram limpas, o mobiliário urbano danificado começou a ser removido ainda na noite anterior e as mesas dos cafés voltaram a ocupar seus lugares.

    Turistas e moradores retomaram a circulação pela região, embora algumas vitrines de estabelecimentos atingidos ainda apresentassem danos.

    Das 72 pessoas levadas à delegacia ontem, 12 foram presas e pelo menos 22 foram denunciadas às autoridades. Entre os detidos, cinco são menores de idade e sete são estrangeiros.

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    Alguns dos envolvidos participaram do saque à loja Footlocker, no Corso Vittorio Emanuele, onde chegaram a se barricar com a chegada das forças de segurança. Pelo menos 90 policiais receberam atendimento médico em hospitais de Milão .

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